A atividade no setor de serviços voltou a crescer em setembro, após quatro meses de resultados negativos, com redução menos intensa do nível de emprego. O Índice Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) para o segmento subiu de 49 pontos para 50,7 pontos no mês passado e ficou acima
da marca de 50 pontos - que divide retração de expansão - pela primeira vez desde abril.

Segundo a consultoria IHS Markit, responsável pelo levantamento, o avanço dos serviços em setembro foi impulsionado pela expansão na quantidade de novos negócios. Embora o aumento dos combustíveis tenha resultado em uma pressão de custos para os prestadores de serviços, a taxa de juros mais moderada e a concorrência resultaram em descontos nos preços cobrados aos clientes - o que manteve o setor relativamente aquecido.

Com a melhora em serviços e na indústria em setembro - que repetiu o avanço de 50,9 pontos registrado em agosto -, o PMI consolidado da produção no país, pela série sazonalmente ajustada, subiu de 49,6 pontos para 51,1 pontos. Foi a primeira expansão em quatro meses.

Segundo relatos dos entrevistados, as condições de demanda melhoraram em setembro, resultando em aumento nas entradas de novos negócios recebidos pelas empresas do setor privado. O avanço nos dois segmentos sinaliza, de acordo com a IHS Markit, um novo resultado positivo do PIB, após as altas no primeiro e segundo trimestres.

Para Pollyanna De Lima, economista da IHS Markit e autora do relatório, "é encorajador ver os provedores de serviços juntarem-se aos seus pares no setor industrial e registrarem um crescimento no volume de produção em setembro". Para ela, o aumento contínuo na quantidade de novos trabalhos cria uma imagem mais positiva em relação ao atual clima de demanda em todo o Brasil, "com uma melhora no grau de sentimento também indicando progresso para as perspectivas de negócios".

Ao analisar a tendência em três meses para o PMI consolidado, fica claro que as empresas do setor privado tiveram um período comparativamente melhor no terceiro trimestre, prossegue Pollyanna. Com base nessa leitura, a mais alta em três anos e meio, "é provável que o PIB continue aumentando em relação ao crescimento de 0,2% relatado no segundo trimestre de 2017".


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Gabriel Caprioli, 05/10/2017