Às vésperas das eleições municipais, o governo do Michel Temer publicou a regulamentação necessária para possibilitar o início das contratações da chamada faixa 1,5 do programa Minha Casa, Minha Vida para famílias com renda mensal de R$ 1,8 mil a R$ 2,35 mil. Uma das regras foi alterada para impedir fraudes que ampliem o subsídio. A meta é de 40 mil unidades habitacionais, com até 500 unidades por empreendimento.
A faixa 1,5 mescla operação de crédito com subsídios bancados pelo FGTS (90%) e recursos da União (10%) e foi anunciado em solenidade no Palácio do Planalto, com presença do presidente Michel Temer; ministro das Cidades, Bruno Araújo, e empresários no dia 11 de agosto. A medida dependia da publicação da Instrução Normativa nº 25, que regulamenta o Programa Carta de Crédito Individual, o que ocorreu ontem. Serão destinados R$ 3,8 bilhões para a faixa 1,5 ainda neste ano. Do total, R$ 1,4 bilhão vai bancar subsídios e R$ 2,4 bilhões virão do FGTS. Do subsídio, apenas R$ 140 milhões serão bancados pelo Tesouro.
A instrução normativa estabelece regras para impedir irregularidades que busquem ampliar o valor do subsídio. O "fator social" deve reduzir o valor dos subsídios em 30% quando o financiamento for feito em nome de apenas uma pessoa. Antes, era de 40%. O "fator social" impede que beneficiários "escondam" o companheiro, em caso de união estável, para diminuir o valor do orçamento mensal e ter subsídio maior. A medida também desestimula que jovens de 21 a 23 anos, com salários de estagiários, possam ter subsídio maior mesmo morando com a família. Na faixa 1,5 o subsídio é de, no máximo, R$ 15 mil para quem tem renda mensal de até R$ 2,35 mil e vive nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, por exemplo.
O início de execução dessa faixa pode ter efeito imediato no setor de construção imobiliária, na avaliação de Ronaldo Cury, vicepresidente de habitação do SindusConSP, sindicato da indústria da construção. Para ele, o primeiro foco da nova faixa serão projetos da faixa 1 que ainda não foram contratados, porque não havia recursos. Já presente nas faixas 2 e 3 do programa, a MRV Engenharia vai participar também da faixa 1,5. A empresa vê um "ganhaganha" nos termos propostos pelo governo. Para a empresa, haverá geração de empregos e inclusão de famílias antes não atendidas. A proposta é "muito eficiente" do ponto de vista
fiscal, avalia Rafael Menin, presidente da construtora.
A recomendação do Ministério Público Federal de anular trechos de portaria que estabelece os critérios para seleção dos beneficiários do programa habitacional foi considerada "descabida" e "preconceituosa" pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos.
O Ministério Público pediu a anulação de critérios considerados ilegais adotados por associações dos movimentos sociais na seleção de beneficiários. O MP pediu ainda a suspensão da liberação de financiamentos pela Caixa Econômica Federal para organizações que tenham adotado esses parâmetros. ntre os critérios considerados ilegais pelo MPF estão os "requisitos de participação", no qual a habilitação dos beneficiários está sujeita ao engajamento em atividades das entidades que gerenciam os projetos.
Fonte: Valor - Brasil, por Edna Simão, Stella Fontes e Tainara Machado, 30/09/2016

