Dez meses depois de enfrentar uma fuga de recursos disparada pela prisão de seu ex­controlador, André Esteves, o banco BTG Pactual teve ontem pela primeira vez desde então sua classificação de risco elevada por uma agência de rating. A Standard & Poor′s (S&P) aumentou a nota de emissor de longo prazo, em escala global, atribuída ao BTG Pactual. A avaliação subiu de "B+" para "BB­ ". A perspectiva da nota, porém, é negativa, o que indica a possibilidade de rebaixamento.

Na avaliação da agência, a pressão sobre a liquidez do BTG, iniciada em novembro, diminuiu. "Acreditamos que o banco agora está em uma posição sólida para cumprir suas obrigações de curto prazo", escrevem os analistas da agência. A S&P passou a considerar as condições de liquidez do banco "moderadas", ante a avaliação "fraca" que tinha anteriormente.

Nas contas da S&P, considerando apenas o BTG Pactual de forma isolada, o banco tem caixa e instrumentos similares em montante suficiente para os próximos 12 meses, mesmo em cenário de estresse. Pelas métricas do banco, o BTG tem hoje uma posição de caixa suficiente para honrar obrigações que forem vencendo ao longo dos próximos dois anos, segundo João Dantas, diretor financeiro do BTG. "Temos um colchão de liquidez hoje muito maior do que em novembro do ano passado. E ela continua melhorando", diz.

Segundo a S&P, a perspectiva negativa da nota está em linha com a avaliação de risco dos bancos brasileiros como um todo. Também reflete o risco de o BTG não ser capaz de manter receitas operacionais estáveis de agora em diante, em particular nas suas operações de gestão de ativos e de fortunas, mais sensíveis à deterioração da confiança, afirmam os analistas da S&P. A linha de R$ 5 bilhões disponibilizada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao BTG permanece com R$ 1,8 bilhão para ser quitado. A  previsão de Dantas é que isso ocorra "muito breve", com os recursos provenientes da venda do banco suíço BSI.

Os ratings de longo prazo em escala nacional do banco também foram elevados, de "BBB­/A­3" para "A­/A­2". A agência afirmou o rating de curto prazo do banco em escala global do banco em "B".


Fonte: Valor - Finanças, por Carolina Mandl e Felipe Marques, 29/09/2016