Funcionários da Prefeitura de São Paulo corriam de um lado para o outro sobre o piso de concreto da nova praça Roosevelt, no centro da cidade, na tarde de ontem.

Apressavam-se na pintura, na limpeza e na montagem de um palco que receberá o prefeito Gilberto Kassab (PSD) na festa de inauguração da praça, marcada para sábado -um final de semana antes do primeiro turno das eleições municipais.

A reforma, que durou dois anos e custou R$ 55 milhões, começou dois anos atrasada.

E será entregue inacabada: o prédio do batalhão da Polícia Militar, maior reivindicação dos moradores e comerciantes, ainda está em fase inicial de construção.

Ele ficará na área próxima à rua Augusta e foi incluído no projeto mais tarde, segundo a prefeitura, por isso só será aberto no final do ano.

"Minha grande preocupação é que agora [com a praça aberta] os ′nóias′ venham para cá. Tem que ter policiamento ou vira bagunça", diz Renato Orbetelli, 65, dono de uma tabacaria na praça.

Na nova Roosevelt, o "pentágono" -estrutura de concreto que cobria a área e servia de abrigo a usuários de drogas- desapareceu.

Na área de 25 mil metros quadrados haverá um parquinho de madeira para crianças, espaço para cachorros com bebedouros para os animais, bancos e uma base da GCM (Guarda Civil Metropolitana), na ponta próxima à rua da Consolação.

As tradicionais floriculturas da praça ganharam um espaço moderno, cercado de vidro. A iluminação será feita por 130 luminárias de LED.

E também há mais área verde. Mas não o suficiente para alguns frequentadores.

"Plantaram um monte de folhagem que não serve para nada. Faltaram mais árvores frutíferas para trazer de volta os passarinhos", diz Maurício de Lima, 67, porteiro de um dos prédios do entorno.

AFUGENTADOS

Segundo o porteiro, não foram apenas os passarinhos que "afugentados pelo barulho da reforma" foram embora da área.

Ao menos dois moradores do edifício onde ele trabalha também tiveram que deixar os apartamentos, vítimas da especulação imobiliária.

Um terceiro está para se mudar. "Antes, o aluguel aqui custava entre R$ 800 e R$ 900. Agora estão pedindo R$ 1.200", afirma o porteiro.

A história se repete em outros pontos perto da praça.

No local há 12 anos, uma papelaria também está de mudança. "O aluguel aumentou 50%", conta o gerente Fernando do Amaral, 52 -é o segundo comércio expulso pelos preços da nova Roosevelt.


Fonte: Folha de São Paulo, por Talita Bedinelli, 28/09/2012