Com o apoio de mais de 70% dos empresários do setor imobiliário e das famílias beneficiadas pelo programa, o Minha Casa Minha Vida (MCMV), na primeira e segunda etapa, contratou 3,5 milhões de unidades habitacionais no País nos últimos cinco anos, desde sua criação em 2009. Do total contratado, foram entregues cerca de 1,8 milhões das moradias. Os investimentos aplicados nas duas fases do programa somam R$ 222 bilhões. Mesmo em um cenário de menor crescimento da economia, a demanda pelos imóveis populares continua forte, com reduzido índice de inadimplência. Em setembro, governo e empresários se reuniram para definir detalhes da terceira etapa do programa.
"A demanda é muito maior do que se produz. Por ano, se forma 1,3 milhão de famílias no Brasil, sendo a maior parte da base de pirâmide social. Desde sua criação, o MCMV contratou, em média, 700 mil unidades por ano. Se a pessoa está empregada, compra o imóvel por necessidade. A prestação da casa própria no MCMV pode ser menor do que o valor do aluguel, " explica o presidente da MRV Engenharia, Rafael Menin
Presente em mais de 20 cidades, em todas as regiões do País, a MRV Engenharia, com sede em Belo Horizonte (MG) participa desde 2009 do programa MCMV. O cliente da MRV tem idade média de 30 anos, renda mensal familiar entre R$ 1,8 mil e R$ 2,5 mil e está em busca do primeiro imóvel, com preço em torno de R$ 145 mil. Com foco nesse perfil, a participação da MRV no programa MCMV se concentra nas faixas 2 e 3. "A faixa 1 é irrisória em nosso portfólio por que a rentabilidade é menor", afirma Menin.
Pelas regras do programa, a faixa 2 - para famílias com renda familiar mensal até R$ 3.275,00 - pode contar com o financiamento habitacional lastreado nos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Já a faixa 1 - para famílias com renda mensal limitada a R$ 1.600,00 - é representada pelo pagamento de 120 prestações mensais, equivalentes a 5% da renda familiar mensal, com valor mínimo fixado em R$ 25,00. "O valor da prestação não se vincula ao custo de produção do imóvel", explica o Ministério das Cidades. A faixa 3 abrange famílias com renda mensal até R$ 5 mil.
Na primeira fase do programa, a MRV foi responsável por 12% das unidades habitacionais construídas nas faixas 2 e 3, ou seja 50 mil unidades. Já na segunda fase do programa, o percentual de participação nas unidades cresce para 13%, nas mesmas faixas, somando 160 mil unidades.
A construtora Casa Alta, de Curitiba, ganhou destaque no segmento de habitação popular com o MCMV. Na primeira e segunda fase do programa, a construtora finalizou 41.251 unidades, sendo a maior parte na faixa 1 (22.723 unidades) e faixa 2 (15.000 unidades). Outras 48 mil unidades estão sendo construídas. A Casa Alta atua no segmento de imóveis de até R$ 100 mil, para famílias com renda mensal de R$ 1,6 mil, que podem pagar prestações mensais que variam de R$ 450,00 a R$ 500,00. "Poucas construtoras conseguem atingir esse público. Esse é o meu foco", afirma o presidente da empresa, Juarez Wieck. "Se considerada apenas a faixa 1 do MCMV, a Casa Alta é a terceira colocada no ranking de unidades construídas", completa.
A construtora está desenvolvedois projetos nas cidades de Bauru e Avaré (SP). São condomínios com moradias de até R$ 96 mil, dotadas de energia solar, captação de água de chuva, biodigestor para o tratamento de esgoto e aproveitamento dos resíduos de gás no abastecimento das cozinhas, reciclagem de lixo, entre outras iniciativas autossustentáveis. Na avaliação de Wieck, a taxa de juro mais baixa é o fundamento do programa MCMV.
Fonte: Valor, por Adriana Aguilar , 26/09/2014

