A equipe de análise do Credit Suisse reavaliou as empresas do setor de construção civil no Brasil e afirmou que, apesar da queda acumulada de 31% no ano, não acredita que as ações estejam em um preço atrativo para entrada.

“Ainda não há motivos para animação”, diz o relatório, que cortou recomendação e preço-alvo de todas as empresas de sua cobertura.

“As ações agora são negociadas a avaliações mais razoáveis, no entanto, ainda vemos a relação risco x recompensa mais inclinada para o lado negativo, uma vez que não há gatilho para as ações, com o lado macro ainda turbulento, micro em deterioração e também vemos mais risco de queda. Preferimos ficar fora do setor por enquanto, mas achamos que a desvantagem é mais limitada. Preferimos habitação de baixa renda em vez de habitação de renda média”, completa o relatório.

Cyrela

O banco cortou a recomendação da Cyrela, focada em média e alta renda, de compra para neutra, e o preço-alvo de R$ 32 para R$ 25, apesar de o banco ainda ver a empresa em ótima forma para encarar o cenário desafiador. Segundo o Credit, a companhia está muito exposta a deterioração macro e micro, que podem atrapalhar o cenário no curto prazo.

EZTec

Para a EZTec, o banco manteve a recomendação neutra e cortou o preço-alvo de R$ 44 para R$ 30, projetando um aumento nos lançamentos estimados para 2021 e 2022 de 10%, antes era 12%.

Even

O preço-alvo da construtora Even foi cortado de R$ 15 para R$ 11, com a recomendação neutra mantida. A projeção de lançamentos foi mantida também, mas a de vendas foi reduzida de uma alta de 8% para 7% no biênio 2021–2022.

Moura Dubeux

A Moura Dubeux teve mantida a recomendação de compra, a única do setor com este status, mas o preço-alvo foi cortado de R$ 14 para R$ 10. A estimativa de lançamentos foi aumentada de 8% para 13% nos próximos 2 anos.

Mitre

O banco também cortou o preço-alvo da Mitre em 33%, de R$ 15 para R$ 10, com recomendação neutra. Segundo o relatório, as estimativas de lançamentos foram reduzidas para R$ 1,5 bilhão nos próximos dois anos, uma queda de até 10%.

MRV

Para a construtora minera MRV, a equipe de análise cortou o preço-alvo de R$ 24 para R$ 17, mantendo a recomendação neutra, mantendo as estimativas de lançamentos em R$ 7,9 bilhões em 2022 e R$ 7,5 bilhões em 2021. O banco, inclusive, tem preferência por construtoras voltadas para o segmento de baixa renda, como a MRV.

Tenda

A Tenda, também do segmento baixa-renda, teve mantida a recomendação neutra mas o preço-alvo cortado de R$ 35 para R$ 25, dados os riscos macroeconômicos. A expectativa de lançamentos e vendas para os próximos anos foi mantida, com projeção de alta de 4% nas vendas e estabilidade nos lançamentos.

Direcional

A Direcional teve o preço-alvo cortado de R$ 19 para R$ 15, com recomendação neutra, mesmo diante de perspectivas de melhora no nível de lançamentos (21% para 2021 e 15% para 2022) e de vendas, com as operações da Riva Incorporadora.

Materiais de construção em obra — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Allan Ravagnani, Valor — São Paulo, 23/09/2021