As companhias abertas brasileiras de construção não têm interesse em fazer a apropriação correta de resultados. A avaliação é do professor da Escola Politéctnica da USP, João Rocha Lima Jr., que participa da conferência Latin American Real Estate Society (Lares), nesta sexta-feira, em São Paulo.
Da forma como é feita a apropriação no Brasil, os balanços refletem perspectivas muito otimistas, explica o professor. Ele ressalta que isso aconteceu em 2010, ainda em um momento em que as empresas estavam na “euforia” de captar investidores na bolsa.
Lima aponta que as empresas consideram custos e receitas ainda não concretizados, de forma presumida, e que o problema está em como são feitos esses cálculos. Ele ressalta que o recente ciclo de prejuízos no setor pode não refletir resultados líquidos negativos em si, mas um deslocamento em relação às primeiras previsões, excessivamente otimistas.
“Era possível prever que haveria um problema com o resultado dessas empresas? Sim, eu até escrevi sobre isso, só não dava pra quantificar [os estouros de orçamento]”, afirmou.
O professor apontou como exemplo de melhor modelo de apropriação de resultados o que é feito nos Estados Unidos, onde o resultado é calculado apenas com relação a unidades entregues. Esse modelo foi sugerido às empresas do Brasil, mas elas rejeitaram a opção. “As empresas brasileiras não gostam disso, colocaram-se contra isso e ganharam”, disse Lima.
Fonte: Valor, por Ana Fernandez, 21/09/2012

