Após crescer 0,9% em junho, a economia brasileira cresceu 0,6% em julho, na leitura do Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV), veiculado nesta segunda-feira (19) pela fundação e que mensura cadência de atividade econômica do país, mensalmente.
Na comparação com julho do ano anterior, a economia cresceu 3,1% no sétimo mês de 2022, mais fraco desempenho desde março (3%). No trimestre finalizado em julho, ante mesmo trimestre do ano antecedente, o Monitor do PIB cresceu 3,3%, levemente acima do observado até junho (3,2%) nessa comparação.
"O setor de serviços ainda tem espaço para crescer [em atividade]; mas se reduziu esse espaço", resumiu ele. Com essa perspectiva de cadência mais fraca em serviços, o técnico não descartou novas taxas positivas em menor intensidade no desempenho mensal do indicador da FGV - o que eleva perspectiva de o PIB em 2022 se encerrar com alta em torno de 2%. Em 2021, a economia avançou 4,6%.
Ao comentar a evolução do Monitor do PIB na passagem de junho para julho, o economista pontuou que, nos últimos meses, o que tem sustentado a economia brasileira foram bons desempenhos em atividades mais presenciais, como serviços, transporte e comércio. Ele comentou sobre o fato de que, com avanço da vacinação contra covid-19, e com isso menor ritmo de mortes e de casos pela doença, as pessoas estariam voltando mais às atividades.
Mas esse fenômeno de impacto favorável de demanda reprimida na atividade de serviços não tem condições de prosseguir indefinidamente em forte intensidade, notou ele. "Eu acho que está perdendo força", afirmou.
Isso é perceptível também nos resultados do Monitor do PIB. O segmento "Outros Serviços" dentro do indicador, que representa bares e restaurantes e hotéis por exemplo, mostrou alta de 0,3% em julho ante junho, no indicador. É o mais fraco resultado desde janeiro de 2022 (-1,6%). Na comparação com julho de 2021, a atividade subiu 10,2%, também o mais fraco desde janeiro de 2022 (10,1%).
O consumo das famílias, por sua vez, cresceu 0,5% em julho ante o mês anterior, levemente acima de junho (0,4%) - mas, na comparação com julho do ano passado, a alta foi de 3,6%, a mais fraca também desde janeiro de 2022 (-0,2%) nessa comparação.
Outro aspecto preocupante mencionado pelo especialista é a ausência de reação de investimentos, na economia, pela leitura do Monitor do PIB. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu 0,8% em julho ante junho, pior resultado desde janeiro desse ano (-5,7%). Na comparação com julho do ano passado, o recuo nos investimentos foi de 0,7%, queda mais intensa desde abril desse ano (-3%). "Os investimentos estão operando muito em baixa. Há uma falta de confiança do empresário em investir. Continua a ter muita incerteza" disse. "E investimentos têm que vir da iniciativa privada", notou.
Ele frisou que, para o empresário ter mais confiança em investimentos, é preciso mais previsibilidade nos rumos da economia, algo que não se percebe nos próximos meses. "A grande esperança era acelerar o ritmo de concessões" disse, citando saneamento como exemplo. "Mas isso não se concretizou", completou.
Assim, ao ser questionado sobre sustentabilidade de maior ritmo de crescimento econômico no longo prazo, o especialista foi cauteloso. Na prática, notou Considera, com menor força em atividade de serviços e sem retomada firme de investimentos, não há como garantir crescimento sustentável em prazo mais prolongado, admitiu ele. "Alguns apostam em crescimento esse ano em 3% [do PIB]. Creio que estamos mais próximos de ter uma alta em torno de 2%", afirmou.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva - Valor — Brasília, 19/09/2022

