O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBCBr) de julho mostrou um crescimento forte e inesperado em relação a junho, de 0,57%, na série com ajuste sazonal. O resultado surpreendeu para cima, dado o comportamento fraco registrado no mês por indicadores importantes com a produção industrial, as vendas no varejo e a prestação de serviços. A média das projeções de 21 analistas ouvidos pelo Valor Data apontava para uma alta do IBC-Br de apenas 0,05%.
Em julho, a indústria teve queda de 0,2% em relação ao mês anterior, enquanto o comércio varejista ampliado (que inclui veículos, autopeças e material de construção) encolheu 0,4% na mesma base de comparação. O volume de serviços prestados teve desempenho ainda pior, com recuo de 2,2% sobre o mês anterior.
O IBC-Br tem mostrando grande divergência em relação ao comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado pelo IBGE. Os dois indicadores têm metodologias de cálculo distintas, mas mesmo assim chama a atenção como os resultados têm sido diferentes.
Em nota, o diretor de pesquisa da América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, destacou que o IBC-Br foi uma ?aproximação muito imprecisa? do desempenho do PIB no segundo trimestre. Enquanto o IBC-Br caiu 0,8% em relação ao primeiro trimestre, na série livre de influências sazonais, o PIB cresceu 0,2% no período.
Desse modo, o número divulgado nesta segunda-feira pelo BC parece dizer pouco sobre o ritmo da atividade econômica. O efeito da greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, se dissipou, mas deixou um impacto negativo sobre a confiança de empresários e consumidores. Além disso, as incertezas relacionadas às eleições contribuem para a cautela nas decisões de consumo e de investimento, ainda mais num cenário marcado pelo mercado de trabalho fraco e pela grande ociosidade na economia.
Para completar, houve piora significativa das condições financeiras nos últimos meses, dada a desvalorização do câmbio, o aumento do risco país e a elevação dos juros futuros. Esse quadro aponta para uma economia fraca, com ritmo lento de expansão. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo BC, o consenso de mercado para o crescimento de 2018 recuou de 1,4% para 1,36%.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Sergio Lamucci, 17/09/2018

