O volume de serviços prestados no Brasil recuou 2,2% em julho, na comparação com o mês anterior, quando subiu 4,8% (dado revisado), na série com ajuste sazonal. Os números foram divulgados nesta sextafeira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda foi a pior para julho desde o início da série histórica da pesquisa, em 2011.

Em junho, o setor recuperava-se das perdas ocorridas durante a greve dos caminhoneiros, em maio, quando recuou 3,4% (dado revisado de queda de 5%).

?Os empresários não sabiam quanto tempo iria durar a greve, se ela poderia voltar. Eles aceleraram o ritmo de pedidos, com receio de um distúrbio posterior, e a demanda não cessou no mês. Teve excesso de demanda por frete em junho. Isso foi devolvido em julho?, disse Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Perante julho de 2017, o volume de serviços diminuiu 0,3%. Nos sete primeiros meses de 2018, a baixa foi de 0,8% frente um ano antes. No acumulado em 12 meses, o setor registrou queda de 1%.

A receita nominal do setor recuou 0,5% em julho, frente ao mês imediatamente anterior, mas registrou alta de 3,7% em relação a julho de 2017.

Atividades

Dos cinco segmentos do setor de serviços acompanhados pelo IBGE, quatro apresentaram queda de volume na passagem de junho para julho. Os destaques negativos foram serviços voltados para as empresas.

O impacto mais relevante no mês veio do segmento de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, que recuou 4% no mês em julho. Todos os modais apresentaram queda de serviços prestados, como terrestre (-3,1%), aquaviário (-6,5%) e aéreo (-28,6%).

A forte queda do volume de serviços do setor aéreo encontra explicação na forma como o volume é calculado pelo IBGE. O órgão pega a receita nominal do setor no mês, que recuou 0,3%, e retira a inflação do período. Neste caso, o item passagem aérea do IPCA, que teve alta de 40% no mês.

?Julho é um mês de férias, o que ajuda a explicar a alta das passagens?, disse Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.

Outra impacto no mês veio das atividades de informação e comunicação, que encolheram 2,2%. A atividade de serviços profissionais, administrativos e complementares também cedeu 1,1%. Essa atividade envolve serviços para empresas como contadores, auditores, terceirizados.

O grupo chamado ?outros serviços?, que inclui atividade imobiliária, por exemplo, apresentou baixa de 3,2%.

A exceção no mês foram os chamados serviços prestados às famílias, com crescimento de 3,1%. Nesse caso, o desempenho foi ajudado pelos serviços de hotéis, num mês tipicamente de férias. Esse tipo de serviço, porém, tem peso pequeno na pesquisa.

Comparativo anual

Das 166 atividades do setor de serviços acompanhadas pelo IBGE, 102 registraram queda em julho, frente ao mesmo mês de 2017.

Dessa forma, o chamado índice de difusão ? neste caso, a proporção das atividades em queda em relação ao total de atividades ? foi de 61,4% em julho. O resultado iguala a difusão registrada em maio, que foi a menor da série, iniciada em 2017 para esse indicador.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Bruno Villas Bôas, 14/09/2018