O corte promovido pelo governo em seus gastos deve ficar próximo a R$ 26 bilhões, conforme relatam integrantes do governo com acesso às negociações em torno da redução de despesas.

Segundo a Folha apurou, haverá aumento de impostos, com previsão de arrecadação extra superior a R$ 30 bilhões, conforme projeções apresentadas ao longo da manhã desta segunda-feira (14).

Uma entrevista coletiva para apresentar os cortes, que atingirão diversos programas sociais, foi marcada para as 16h. Os ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, apresentarão os números. Técnicos do Executivo afirmam que a redução de gastos ficará entre R$ 25 bilhões e R$ 26 bilhões.

Os programas mais prejudicados devem ser o PAC e o Minha Casa Minha Vida. A equipe da presidente Dilma Rousseff ainda pode fazer pequenas mudanças na conta final até o início da coletiva.

Com os cortes nas despesas e as medidas de elevação tributária, o Palácio do Planalto tenta zerar o deficit de R$ 30,5 bilhões na proposta orçamentária de 2016, enviada ao Congresso em 31 de agosto.

Além de despesas administrativas, haverá ainda a redução de subsídios e isenções fiscais. No domingo, ministros afirmavam que o governo também iria propor aumento de impostos. É dado como certo que a nova proposta orçamentária virá com aumento expressivo de arrecadação.

APOIO

Não por acaso, o pacote de cortes será mostrado para os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), antes do anúncio.

O Planalto não quer correr o risco de ver as medidas serem bombardeadas pelos condutores do processo legislativo a que parte delas será submetida.

Para cobrir o deficit e chegar aos 0,7% de superavit primário prometido, equivalentes a cerca de R$ 45 bilhões, essas medidas adicionais serão necessárias.

Os cortes mais profundos em programas sociais devem aumentar o fosso entre Dilma e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que é crítico do ajuste.

Na semana passada, quando o Brasil teve sua nota rebaixada, Lula fez críticas ao corte de programas sociais como forma de responder à crise econômica e espezinhou a Standard & Poor′s -a mesma empresa que havia dado o chamado grau de investimento ao Brasil em 2008, quando o então presidente Lula disse viver "um momento mágico".


Fonte: Folha de São Paulo - Poder, por Marina Dias e Natuza Nery, 14/09/2015