A desaceleração da queda nas vendas domésticas de cimento, que ainda assim devem encerrar 2017 com retração de 7%, levou algum otimismo à indústria. Os fabricantes, reunidos no Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), já trabalham com um cenário de estabilidade ou crescimento de até 1% em 2018, desempenho que poderá confirmar o fim do ciclo de três anos de encolhimento das vendas.
Mas recuperação efetiva, ressalta o presidente da entidade, Paulo Camillo Penna, somente mesmo no ano seguinte. "O primeiro movimento é de freio na queda, o que deve ocorrer entre 2017 e 2018, para então crescer novamente em 2019", disse o executivo ao Valor. Para voltar aos mesmos níveis de 2014, o último ano de alta no consumo doméstico, com 71 milhões de toneladas, serão necessários quatro ou cinco anos de crescimento,
acrescentou.
Conforme dados preliminares do Snic, no acumulado de janeiro a agosto, as vendas de cimento no mercado interno ficaram em 35,7 milhões de toneladas, 8% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Até julho, a retração era de 9,1% - e, em todo o ano de 2016, o declínio foi de 11,3%.
Somente em agosto, as vendas internas totalizaram 5 milhões de toneladas em agosto, com recuo de 0,9%. Na comparação por dia útil, a baixa nessa base de comparação também foi de 0,9%, mas houve alta de 0,1% frente a julho.
Conforme Penna, os resultados até agosto mostraram leve melhora na comparação com o acumulado até julho. Medidas de incentivo à construção tomadas pelo governo federal nos últimos meses têm contribuído para a redução do tamanho da queda e o executivo citou a regulamentação da Letra Imobiliária Garantida (LIG), um novo instrumento de financiamento para o setor imobiliário.
Contudo, fatores indispensáveis ao bom andamento do mercado de habitação - crédito, melhoria de renda e multiplicação de projetos - ainda não estão presentes. "Então, nesse momento, a recuperação depende do investimento público em infraestrutura", disse, acrescentando que a indústria acompanha com "preocupação" o encolhimento dos gastos dos Estados com obras dessa natureza.
Desde 2014, destacou Penna, as vendas internas de cimento encolheram 23,5% e, hoje, a capacidade ociosa das cimenteiras chega a 46% - a mais alta já registrada. Até o fim do ano, esse índice poderá subir mais um ou dois pontos percentuais.
Apesar de reiterar a previsão de queda em torno de 7% nas vendas neste ano, o Snic manteve o intervalo de baixa acumulada no ano de 5% a 9% diante da elevada volatilidade no cenário político. De acordo com a entidade, o consumo aparente de cimento (vendas no mercado interno mais importações) totalizou 5 milhões de toneladas em agosto, na comparação anual.
Em 12 meses até agosto, a queda no consumo aparente foi de 8,7%. Já as vendas locais no período totalizaram 54,3 milhões de toneladas, 8,8% menor que nos mesmos meses anteriores - setembro de 2015 a agosto do ano passado. Em agosto foram vendidas 5 milhões de toneladas.
Com base nas estimativas, as vendas de cimento neste ano devem ficar em torno de 53 milhões de toneladas, voltando ao patamar de oito anos atrás. A indústria nacional de cimento conta com 24 grupos e empresas nacionais e estrangeiros - como Votorantim, InterCement, João Santos, LafargeHolcim, CRH e Cecil. No todo dispõem de uma capacidade instalada na faixa de 100 milhões de toneladas por ano.
Muitos fornos e unidades de moagem que tinham custos mais elevados estão paralisados e não têm prazo retomada. A competição acirrada levou a uma forte queda nos preços do mercado doméstico. (Colaborou Ivo Ribeiro)
Fonte: Valor - Empresas, por Stella Fontes, 12/09/2017

