O ambiente de juros baixos e o aumento da competição têm proporcionado uma série de inovações no crédito imobiliário, que passa a contar com opções variadas para quem constrói ou está em busca da casa própria.
O passo mais recente foi dado pelo Itaú Unibanco, que lançou ontem uma modalidade de financiamento à aquisição de imóveis indexada pela poupança. O banco já havia começado a oferecer essa possibilidade para clientes pessoa jurídica em abril, atendendo a uma demanda das incorporadoras.
Agora, na opção apresentada aos clientes do varejo, a linha terá um componente fixo de 3,99% ao ano, mais uma variável atrelada ao rendimento da poupança, que no cenário atual corresponde a 70% da Selic. Com isso, a taxa final para os clientes ficaria hoje em 5,39% ao ano - menor que a oferecida pelo próprio banco nos contratos atrelados à TR.
De acordo com simulações apresentadas pelo Itaú, a nova modalidade permite que as prestações sejam, em média, 20% menores que na linha convencional e o saldo devedor sempre é reduzido com os pagamentos. “A poupança tem como referência a variação da Selic, mas tem um teto. Por isso, traz dois elementos que oferecem conforto aos clientes. O limitador do teto da poupança traz a garantia de que a parcela não vai passar de determinado valor e o saldo devedor é amortizado todos os anos”, disse Alexandre Zancani, diretor-executivo do Itaú, a jornalistas.
Os outros grandes bancos que atuam na área também vêm apresentando novos formatos de crédito. A Caixa puxou a fila ao lançar, no ano passado, linhas indexadas pelo IPCA - que já acumulava em agosto cerca de R$ 10 bilhões em operações. O banco também começou a oferecer, no início de 2020, financiamentos com taxas prefixadas, mas, dado o cenário de juros baixos, a modalidade ainda não decolou. Nos dois casos, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, pretende resolver o descasamento entre o funding da poupança, que tem liquidez diária, e os contratos de longo prazo. O executivo também pretende securitizar a carteira.
O Bradesco, por sua vez, também tem oferecido financiamentos atrelados à variação da poupança para algumas incorporadoras e está desenvolvendo, também para pessoas jurídicas, uma linha corrigida pelo CDI.
Os bancos têm redobrado as apostas no crédito imobiliário, modalidade de crédito de longo prazo, risco baixo e grande potencial de fidelização do cliente.
“A gente está renovando nosso posicionamento nesse mercado, tão importante para a economia”, afirmou ontem Danilo Caffaro, diretor de crédito imobiliário do Itaú. “Estamos encarando esse como o primeiro passo de um jornada de transformação [no segmento].”
Em paralelo ao anúncio da nova modalidade, o Itaú também reduziu para TR mais 6,9% ao ano a taxa de sua linha de crédito imobiliário convencional, e aumentou de 80% para 90% o valor financiável do imóvel. Segundo Caffaro, a ideia é oferecer aos clientes um cardápio, para que eles escolham a opção mais conveniente.
O banco também vai começar a oferecer crédito pessoal com garantia do imóvel financiado, com taxas a partir de 0,56% ao mês. “Passa a ser uma funcionalidade do nosso crédito imobiliário, é um valor agregado”, afirmou Caffaro.
Com o produto, o Itaú será a primeira instituição financeira a adotar essa modalidade de crédito, regulamentada recentemente pelo Banco Central (BC). De acordo com o órgão regulador, o cliente poderá oferecer um imóvel que ainda esteja sendo financiado como garantia para tomar outra linha de crédito no mesmo banco.
Os executivos do Itaú veem no produto um fator de atração de portabilidade de contratos de crédito imobiliário para o banco. Para ampliar o alcance da medida, Zancani disse que o crédito com garantia imobiliária, antes oferecido a clientes de alta renda, passará a ser uma opção no varejo também.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Talita Moreira - São Paulo, 11/09/2020

