Apesar de ter paralisado suas fábricas por mais de um mês em decorrência da pandemia de covid-19, a Lorenzetti está vivendo seu melhor ano. Quando iniciou 2020, a fabricante de duchas, chuveiros elétricos, metais sanitários e purificadores de água projetava expansão de 10% ante o faturamento de R$ 1,5 bilhão registrado no ano passado. De janeiro a agosto, o crescimento chega a 16%.
“O ano está excepcional, fora da curva”, afirma o vice-presidente da Lorenzetti, Eduardo Coli. As fábricas da empresa estão operando a plena capacidade.
A demanda foi impulsionada, segundo o executivo, pelo auxílio emergencial de R$ 600 mensais e pelos recursos liberados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O fato de parte da população estar trabalhando de casa também estimulou o maior consumo de produtos para o lar, na avaliação de Coli.
Outro fator que contribuiu para a alta do faturamento foi a substituição de produtos - principalmente, chuveiros - por itens de maior valor. Mas as vendas cresceram também nos demais produtos da Lorenzetti - louças e metais sanitários, purificadores de água e lâmpadas. Nos últimos três anos, a companhia fez investimentos em inovação de produtos para melhorar seu mix de vendas.
De acordo com o executivo, a expansão do faturamento, no acumulado do ano, será “com certeza” de dois dígitos, mas poderá ser inferior à obtida até agosto. A partir de hoje, a Lorenzetti vai elevar os preços de seus produtos, para repassar parte do aumento de custos com matérias-primas como PVC, polipropileno e metais não ferrosos. “Desde janeiro, fios e cabos tiveram aumento de 36%, PVC subiu 20% e nylon, 25%”, diz Coli.
As altas de custos das resinas pressionam as margens, principalmente, dos chuveiros, enquanto o câmbio afeta a rentabilidade obtida com a venda dos itens de iluminação.
Em janeiro, a Lorenzetti tinha feito reajustes de preços da ordem de 10% dos produtos. Coli conta que a empresa começou o ano com bom desempenho, processo interrompido pela pandemia. “Fomos uma das primeiras indústrias a parar as atividades”, diz o executivo. No total, as fábricas da Lorenzetti suspenderam a produção por quase 40 dias, período em que a empresa se adequou para “receber os funcionários com segurança”, de acordo com o presidente.
Com a retomada das atividades das fábricas, a partir de maio, e o crescimento da demanda em todas as regiões do país, a Lorenzetti contratou mais funcionários para dar conta de atender ao mercado. Atualmente, o número de empregados chega a 5.321, ante 5.000 no início do ano. “Retomamos a produção a todo vapor”, diz o vice-presidente.
Em novembro de 2019, a Lorenzetti deu partida nas instalações fabris compradas da Arno, no bairro paulistano da Mooca. Parte dos investimentos, cerca de R$ 116 milhões, foi feita no ano passado. Outra parcela de R$ 180 milhões, dos quais R$ 76 milhões são para desenvolvimento e lançamento de produtos, foi realizada em junho e julho. Os recursos abrangem compra e reforma do imóvel e aquisição de maquinário.
Com os aportes, a capacidade de produção de chuveiros elétricos cresce 37%, e há aumento, em menor proporção, da fabricação de metais sanitários.
Segundo o executivo, o programa Casa Verde Amarela, lançado na semana passada como sucessor do Minha Casa, Minha Vida, contribui para as boas perspectivas da Lorenzetti.
Até novembro, a empresa vai revisar seu planejamento para o próximo ano. “Estamos otimistas em relação a 2021”, diz o vice-presidente da Lorenzetti.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 01/09/2020

