A economia paulista cresceu 0,7% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, de acordo com estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgado com exclusividade para o Valor. O resultado vem na sequência de outro número positivo do PIB de São Paulo, já que no primeiro trimestre a economia do Estado registrou expansão de 0,4%, de acordo com a Seade.
Apesar dos dois trimestres de crescimento, o órgão diz que ainda é cedo para projetar uma expansão do PIB paulista em 2017. No segundo trimestre do ano passado, a atividade chegou a ficar em terreno positivo, com alta de 0,1% em relação aos três meses anteriores. Mas a recuperação não se concretizou. Houve novas quedas nos trimestre seguintes.
"Neste ano a retomada está mais robusta, tanto na indústria, que vem se recuperando desde janeiro, quanto no comércio e serviços, que vêm acelerando o crescimento nos últimos meses", diz Vagner Bessa, gerente de indicadores econômicos da Seade.
De acordo com dados do órgão, 38% da indústria de transformação brasileira está em São Paulo. No caso dos dois segmentos que vêm puxando essa retomada, automobilística e máquinas e equipamentos, mais da metade das fábricas está no Estado.
Números recentes mostram que a indústria de transformação paulista, beneficiada pela baixa base de comparação e pelas exportações, vem tendo desempenho superior ao da brasileira. No acumulado de 12 meses encerrados em junho, a produção de veículos, por exemplo, teve alta de 8% em São Paulo e de 5,3% no Brasil. No caso de máquinas e equipamentos, houve alta de 0,4% em São Paulo e queda de 2,6% no Brasil. Os dados são da própria Seade e do IBGE.
Já o comércio e os serviços do Estado vêm apresentando recuperação mais tardia e lenta do que a indústria. Os serviços ligados às empresas, como comunicações e transportes, têm registrado crescimento mais robusto a partir do segundo trimestre. Os serviços ligados às famílias, por outro lado, ainda sofrem com a difícil recuperação do mercado de trabalho.
A tendência para São Paulo no segundo semestre é de estabilização de indicadores como taxa de desemprego, mas em níveis superiores ao do mesmo período do ano passado. "Isso está longe de ser chamado de recuperação", diz César Andaku, economista do Dieese, que trabalha em parceria com a Seade na realização da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Estado. Andaku destaca também que a melhora recente nos índices de ocupação tem acontecido principalmente por causa do trabalho informal e do trabalho por conta própria.
Embora a crise tenha começado em São Paulo em 2014, antes do primeiro ano de retração no Brasil, Estado e país tiveram queda do PIB da mesma magnitude no período, na casa dos 7%. "Tudo que crescemos de 2010 a 2013, nós perdemos de 2014 a 2016", diz Bessa, da Seade.
Por isso, ele mantém a cautela ao traçar cenários para a atividade paulista neste ano. "Se tudo convergir, é capaz de a economia de São Paulo mostrar uma taxa positiva de crescimento em 2017", diz.
O Santander calcula expansão de 0,5% neste ano tanto para o PIB paulista quanto para o brasileiro. Mas o crescimento da economia do Estado, de acordo com o banco, deve ser mais disseminado e menos dependente da agropecuária. A alta de 1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre, por exemplo, foi fruto principalmente da safra agrícola recorde. "Olhando para os fundamentos, a gente tem a percepção de que a retomada de São Paulo é um pouco mais consistente", diz Rodolfo Margato, economista do banco. O banco estima que São Paulo registrará em 2017 alta de 0,8% na indústria, 0,4% nos serviços e 3,5% na agropecuária.
A 4E Consultoria traça um cenário mais pessimista e calcula que o PIB paulista caiu 0,3% no segundo trimestre, com alta só na indústria (1,3%).
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Estevão Taiar, 01/09/2017

