Há um ano, o argentino Carlos Zarlenga assumiu o comando da General Motors do Brasil. Desde então, muita coisa aconteceu no país e na montadora. Em janeiro, a companhia juntou as operações do Brasil e Argentina e colocou Zarlenga no comando. Mas a notícia que mais entusiasma o executivo é a retomada, ainda que gradual, das vendas de veículos - no Brasil e Argentina. Ele também elogia a reformulação das leis trabalhistas. Mas, diz, é preciso fazer mais, com reforma tributária e melhorias na infraestrutura. "Só assim o país voltará a atrair a confiança do investidor".

Para Zarlenga, a retomada das vendas de veículos no Brasil demonstra a volta da confiança do consumidor. "Começamos a perceber essa recuperação em março, que mostrou uma expansão do mercado depois de 27 meses consecutivos de queda. "É uma recuperação um pouco mais devagar que em outras crises, mas dessa vez é sustentável", destaca.

O executivo prevê que este ano o mercado brasileiro de veículos ficará em 2,2 milhões de unidades, o que representa aumento de 7% em relação a 2016. Para o próximo ano, Zarlenga estima mais crescimento, de 8%.

Quando deu a entrevista ao Valor esta semana, o presidente da GM previu um crescimento de 12% a 13% no mercado brasileiro de veículos em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Mas faltavam ainda dois dias de licenciamentos e o penúltimo, na quarta, teve resultado expressivo. Nesse dia, um total de 14,3 mil veículos zero-quilômetro passaram pelos órgãos de trânsito, quantidade muito acima das médias diárias do primeiro semestre.

Zarlenga trata Brasil e Argentina como um só mercado, que vendeu 3,1 milhões de veículos em 2016 e, segundo seus cálculos, poderá chegar a 3,4 milhões em 2018. "Não olhamos o Brasil de forma isolada; não se pode separar as indústrias nessa região".

O executivo tem até dificuldades quando lhe perguntam quantos veículos a GM vende em cada país. Ele sempre faz a soma e fica atento para que a empresa mantenha a posição de líder nos dois lados. No Brasil a montadora americana tem fatia de 17,4% nas vendas acumuladas este ano. Desbancou a
Fiat em 2016, depois de 14 anos de liderança da marca italiana. Há uma semana, Zarlenga encontrou-se com o presidente Michel Temer.

Detalhou planos de investimentos para o Brasil nos próximos anos, quando se encerrará o ciclo de um programa de R$ 13 bilhões entre 2014 e 2020. O executivo também pediu ao presidente empenho para que as normas veiculares dos carros vendidos no Brasil e Argentina sejam iguais, o que facilitaria homologações e ajudaria a indústria a incrementar produtividade.

Zarlenga aproveitou o encontro com Temer para elogiar a reforma trabalhista que, segundo diz, garantirá "dinamismo" ao mercado de trabalho. Mas destacou que a reformar tributária é um ponto importante para investidores. "O sistema tributário brasileiro precisa de muita simplificação", afirma.

Sem entrar em detalhes de números, Zarlenga conta que a empresa fez ajustes no quadro de pessoal em 2015. "Prevíamos que os anos seguintes seriam difíceis", destaca. Agora a GM começou a acelerar o ritmo de produção. Mas a empresa não fornece detalhes sobre programas de afastamento de pessoal.

Boa parte dos investimentos programados para os próximos dois anos, que somarão R$ 4,5 bilhões serão voltados ao desenvolvimento de novos veículos. Zarlenga também não detalha esses planos que, segundo expectativas do mercado, incluem utilitários esportivos. Também há estudos para novos investimentos na fábrica de Rosário, na Argentina. 

Fonte: Valor - Empresas, por Marli Olmos, 01/09/2017