A forte alta do dólar elevou as cotações dos produtos no atacado em agosto e acelerou o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu 0,61% no período, segundo a estimativa média de 31 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data. No mês passado, o indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) ficou em 0,51%.
As projeções para o IGP-M, que será divulgado hoje pela FGV, vão de aumento de 0,24% a 0,73%. Se confirmadas as expectativas, a inflação acumulada em 12 meses pelo índice terá avançado novamente, de 8,24% em julho para 8,81% no mês seguinte, em sua sexta alta consecutiva.
O real teve desvalorização de 4,8% em relação à moeda americana no período de apuração do IGP-M, na comparação com o mês anterior, calcula Leonardo Costa França, economista da Rosenberg Associados. Os preços foram coletados entre os dias 21 de julho e 20 de agosto.
"É uma alta expressiva, e o dólar está com bastante volatilidade", observa França, para quem o indicador da FGV subiu 0,65% no mês. Com peso de 60% no IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou de 0,50% para 0,94% na passagem mensal, estima o analista, influenciado principalmente pelos preços agropecuários. Em seus cálculos, o IPA agro deixou queda de 1,83% na medição anterior e, agora, aumentou 1,44%.
A alta se explica pela apreciação do dólar, que puxou para cima as cotações das principais commodities agropecuárias, como soja e milho, diz França. Deve haver, ainda, alguma recomposição da parte de alimentos in natura, que caíram bastante em julho após o fim dos efeitos da greve dos aminhoneiros, acrescenta. Esses itens, porém, têm participação mais relevante nos índices ao consumidor, mas são pouco representativos no atacado.
No índice referente aos produtos industriais, a desvalorização da divisa doméstica deve pressionar as cotações do minério de ferro, que recuaram 1,5% no mês passado dentro do IGP-M, diz o economista da Rosenberg. A deflação dos combustíveis, por outro lado, ganhou fôlego e mais do que compensou o efeito da alta do dólar, diz. Por isso, a consultoria estima que o IPA industrial desacelerou de 1,3% em julho para 0,77% em agosto.
Segundo França, o IGP-M tende a continuar pressionado no próximo mês, uma vez que o repasse da depreciação cambial ainda não ocorreu em sua totalidade. "Parece que estamos chegando a um limite para a taxa de câmbio, mas, devido ao cenário eleitoral, o risco é de alta", disse.
Para a LCA Consultores, que trabalha com aumento de 0,70% do IGP-M no oitavo mês do ano, o IPA subiu 0,99% no período, com avanço de 1,5% na parte agropecuária do índice. O IPA industrial, por outro lado, desacelerou para 0,82%, estima a LCA. Para a consultoria, alguns bens industriais registraram deflação este mês, como produtos alimentícios, bebidas, fumo e artigos do vestuário. Os economistas mencionam, ainda, que diversos produtos subiram menos, tais como têxteis e derivados do petróleo e biocombustíveis.
Também com perda de fôlego, o Índice de Preços ao Consumidor - M (IPCM), que representa 30% do IGP-M, deve ter desacelerado na passagem mensal, estima França, com taxas negativas nos grupos de alimentação e de transportes. No sétimo mês do ano, o IPC registrou alta de 0,44% e, agora, deve ficar em 0,07% pelas projeções da Rosenberg.
Por fim, já divulgado pela FGV, o Índice Nacional de Custo da Construção Civil - M (INCC-M) reduziu sua alta para 0,30% em agosto, após marcar 0,72% um mês antes, com taxas menores nas partes de materiais, equipamentos e serviços e moderação também nos reajustes de mão de obra. O INNC responde por 10% do índice geral.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Arícia Martins , 29/08/2018

