Embora a modelagem da nova rodada de concessões de infraestrutura não esteja concluída, o governo já decidiu que não haverá financiamentos subsidiados para os participantes. Em entrevista ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, afirmou que o governo pretende fomentar a competição entre os bancos, porque não tem mais condições de apoiar as concessões com subsídios.

"Vamos evitar dinheiro subsidiado. É muito difícil para um Estado quebrado manter a mesma política que estimulou a quebradeira", afirmou Moreira. A orientação é que cada tipo de projeto passe por uma avaliação própria de riscos para que seja definida a melhor alternativa de financiamento. O BNDES, que irrigou as últimas rodadas de concessões com dinheiro barato, estará bem mais cauteloso, mas ainda participará, assim como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e instituições privadas.

"As taxas [subsidiadas] praticadas pelo BNDES no passado, que afastaram os bancos privados do processo de financiamento, gerou uma situação extremamente inconveniente para um processo de financiamento e não vai ocorrer mais", afirmou Moreira. Ele confirmou também que os depósitos judiciais podem ser mais uma alternativa de crédito para as concessões. Essa questão, porém, será decidida no próximo dia 13 de setembro pelo presidente Michel Temer, durante reunião do conselho do PPI.

Para Moreira, o novo cenário econômico coloca para o programa de concessões a prioridade de evitar a escalada do desemprego, que deve atingir 14 milhões de brasileiros até o fim do ano. No passado recente, o objetivo principal dos investimentos em  infraestrutura era a redução dos custos logísticos.

Como o setor de infraestrutura é intensivo em mão de obra, torna­se ainda mais urgente destravar os investimentos. Para que isso ocorra, no entanto, o país precisa alcançar o equilíbrio fiscal para fomentar a confiança dos investidores. "O principal problema brasileiro é fiscal e ele tem que ser resolvido para nós criarmos as condições de crescer, investir e gerar emprego", disse Moreira.


Fonte: Valor - Brasil, por Claudia Safatle e Murillo, 29/08/2016