As gestoras de recursos estão sendo forçadas a assumir tarefas com as quais não contavam. Por causa da crise, estão executando garantias dadas por empresas que emitiram papéis de dívida e não honraram o pagamento. São ativos como imóveis, shoppings e fazendas, que exigem atuação não prevista na administração de suas carteiras. Processo semelhante ocorre com os bancos, mas estes estão mais equipados para lidar com o problema. Alguns chegaram a criar empresas para administrar os imóveis.
As gestoras de recursos Capitânia e Rio Bravo, por exemplo, investiram R$ 135 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), tendo como garantia a receita de dois shopping centers no Rio Grande do Sul (RS). Como os papéis não foram honrados, acabaram se tornando proprietárias dos empreendimentos.
Casos como esse se tornaram mais comuns nos últimos dois anos, com o agravamento da crise econômica, que fez com que muitas empresas dessem calote. A situação obrigou os gestores a assumirem postura mais ativa na tentativa de recuperar o investimento realizado. Acostumados a fazer análise de crédito, gestores se viram forçados a gerir ativos reais em suas carteiras.
Emitidos pela Ápice Securitizadora, os CRIs comprados pela Capitânia e a Rio Bravo tinham como garantia 100% de um shopping center em Gravataí (RS) e 30% de outro em Lajeado (RS). Foram adquiridos pelos fundos de crédito da Capitânia, um investimento de pouco mais de R$ 100 milhões, 6% do crédito privado corporativo gerido pela gestora. Já a Rio Bravo comprou cerca de 10% dessa emissão por meio de um fundo de recebíveis.
Os imóveis que serviam de lastro para os recebíveis eram administrados pelo M. Grupo. Com o pedido de falência da incorporadora, o vencimento dos CRIs foi antecipado. Apesar de os papéis contarem com alienação fiduciária, o devedor conseguiu liminar na Justiça para impedir a execução das garantias, num processo que se arrastou por dois anos. Os imóveis foram levados a leilão e, como não foram vendidos, foram entregues à Ápice, que deve transferi-los aos credores.
Fonte: Valor - Finanças, por Silvia Rosa, 28/08/2017

