
O país perdeu quase 1 milhão de trabalhadores sindicalizados entre 2018 e 2019, com recorde negativo no número de sindicalistas - que registrou, no ano passado, menor patamar em sete anos. Além disso, categorias informais no mercado de trabalho, notadamente menos sindicalizadas, alcançaram número recorde de trabalhadores.
Esse era o retrato do emprego no país no ano passado, antes da pandemia, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seu estudo PNAD Contínua Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2019.
“Houve crescimento de população ocupada em 2019, mas isso não conduziu a aumento de sindicalização”, resumiu a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy. “A partir de 2017 vemos recuperação da população ocupada no mercado de trabalho, mas sem recuperação da sindicalização”, completou ela.
Entre 2018 e 2019, a população ocupada no mercado de trabalho cresceu 2,5%, para 94,6 milhões de trabalhadores. Em contrapartida, no mesmo período, houve queda de 8,25% no número de trabalhadores sindicalizados, para 10,567 milhões. Isso representa perda de 951 mil sindicalizados no ano passado, o que conduziu a 3,836 milhões de sindicalizados a menos, desde 2012.
Na prática, o ano passado contabilizou o maior volume de trabalhadores ocupados no mercado de trabalho desde 2012, início da série histórica da pesquisa. Mas também teve o menor número de trabalhadores sindicalizados da série.
Além da reforma trabalhista em 2017, que eliminou obrigatoriedade da contribuição sindical anual, por parte dos trabalhadores, a intensidade da cobertura sindical diminuiu justamente em atividades em que era mais elevada. É o caso da indústria, por exemplo.
Cálculos do IBGE apontam perda de 1,1 milhão de trabalhadores sindicalizados da indústria entre 2012 e 2019. A pesquisadora do IBGE detalhou que o Sul do país teve a mais intensa retração, entre as regiões, da proporção de sindicalizados no total de ocupados, de 20,3% em 2012 para 12,2% em 2019.
“Nesses Estados [do Sul] vem se observando nos últimos anos a perda de ocupação na indústria, atividade bastante relevante na atividade econômica regional e com concentração de sindicalizados”, afirmou ela.
Outro aspecto apurado pelo IBGE na pesquisa foi o avanço da informalidade. O volume de trabalhadores por conta própria bateu recorde, em 2019, totalizando 24,4 milhões no ano passado. No caso de empregados sem carteira assinada no setor privado, o volume também foi recorde, de 12 milhões.
“A taxa de sindicalização de um empregado no setor privado com carteira é bem maior do que em empregado sem carteira”, acrescentou a economista.
Em 2019, a taxa de sindicalização de emprego no setor privado com carteira assinada ficou em 14%, praticamente o dobro da registrada entre trabalhadores por conta própria, de 7,3%. No caso de trabalhadores sem carteira assinada, a taxa de sindicalização ficou em 4,5%, em 2019.
Os resultados na pesquisa alertam ainda que a população brasileira com idade para trabalhar, entre 2012 e 2019, cresceu a um ritmo mais intenso do que o mercado de trabalho teve capacidade de absorver, em novos trabalhadores, segundo informou o instituto.
A alta da população com 14 anos ou mais de idade ficou em 8,9% entre 2012 e 2019. Já a população ocupada no mercado de trabalho no mesmo período cresceu 6,1% em 2019 ante 2012.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva - do Rio, 27/08/2020

