A expectativa dos analistas de mercado para a inflação teve uma ligeira alta na semana passada, segundo ao boletim Focus, do Banco Central (BC). A projeção do juro básico para o fim do ano, porém, ficou inalterada pela 13ª semana consecutiva.
A mediana das projeções para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,15% para 4,17%. Há quatro semanas, estava em 4,11%. O ajuste ocorre após a divulgação do IPCA-15 de agosto, que saiu de uma alta de 0,64% em julho para 0,13% em agosto, mas ficou ligeiramente acima da expectativa do mercado, de 0,10% de aumento. Depois de fortemente afetada pelo desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros, a inflação cedeu.
Com exceção de alguns itens como farinha de trigo, o IPCA-15 não mostrou influência da alta do dólar nas últimas semanas. Na semana passada, a moeda americana ficou acima de R$ 4,10 e, no Focus, a projeção para o fim do ano passou de R$ 3,70 para R$ 3,75.
A despeito desses fatores, os analistas não alteraram a projeção da Selic para o fim deste ano, de 6,50%, patamar atual.
O boletim do BC também mostra que a estimativa para o IPCA em 2019 subiu ligeiramente de 4,10% para 4,12%, mas as projeções do dólar (R$ 3,70) e da Selic (8%) foram mantidas. A expectativa para o IPCA nos próximos 12 meses subiu de 3,67% para 3,70%.
Entre os analistas do grupo Top 5 de médio prazo, a estimativa para a inflação deste ano subiu de 4,16% para 4,17%, mas a de 2019 foi mantida em 4,20%. Já a projeção para a Selic deste ano ficou em 6,50%, mas a de 2019 subiu de 7,63% para 7,75%. Esse grupo de economistas não mexeu nas projeções do dólar para o fim de 2018 e 2019, que permaneceram em R$ 3,50 e R$ 3,51.
Atividade
Caiu mais um pouco a expectativa dos analistas para o crescimento da economia brasileira neste ano. De acordo com o boletim Focus, a mediana das projeções passou de 1,49% para 1,47%. Para 2019, a estimativa foi mantida em 2,50% de expansão.
Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o desempenho do PIB do segundo trimestre, que, de acordo com a média de economistas consultados pelo Valor Data, deve ser de apenas 0,1% de avanço em relação aos três primeiros meses do ano.
O período de abril a junho foi conturbado, com greve dos caminhoneiros, cenário externo turbulento e piora das condições financeiras para famílias e empresas.
Antes da greve, as projeções para a economia já vinham caindo. Após a paralisação, as revisões para baixo se aceleraram num processo que ainda não terminou.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Ana Conceição, 27/08/2018

