O potencial de crescimento do mercado imobiliário no Brasil é enorme, em particular quando se considera as oportunidades no mercado de reposição de imóveis, mas os juros não têm ajudado o crédito imobiliário, na avaliação do fundador e presidente do conselho da MRV, Rubens Menin.

Segundo o empresário, além do crescimento orgânico do mercado, há outro indicador, de reconstrução de casas, que acaba não sendo incluído no cálculo do potencial de negócios futuros pelos analistas. No país, disse o executivo, uma casa dura em média 90 anos, contra 35 anos nos países mais avançados.

“O mercado de reposição tem de ser do tamanho do orgânico. Para um país como o Brasil, isso representa um potencial fantástico, mas o maior inimigo é a taxa de juros”, comentou, durante a 24ª Conferência Anual Santander.

Para Menin, o país está atravessando um momento interessante, depois de dois problemas complexos: a pandemia e a alta da taxa de juros. “Acho que vamos pagar o preço desses juros, sem quer discutir se a politica monetária está certa. Muitos projetos foram adiados ou cancelados. Isso afeta a competitividade da indústria brasileira no futuro”.

Em relação às reformas estruturais, o empresário elogiou a atuação do Congresso Nacional — “vai bem na agenda mais ampla”, mas alertou que a grande meta do país é ter o controle dos gastos e ser eficiente em gastos. Sociedade e outros agentes deveriam participar dessa discussão, acrescentou.

Rubens Menin, fundador e presidente do conselho da MRV — Foto: Claudio Belli/Valor


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Stella Fontes, Valor — São Paulo, 23/08/2023