A equipe econômica continua a mostrar que está disposta a apresentar propostas para entregar a consolidação fiscal, afirmou o diretor-geral de ratings soberanos e finanças públicas para as Américas da S&P Global Ratings, Roberto Sifon. Mas só o compromisso, ressaltou ele, não é suficiente. "É preciso ver resultados", diz.

Diante do "severo" problema fiscal do país, a abordagem das medidas fiscais apresentadas até o momento é de ajuste gradual das contas públicas, segundo Sifon. No entanto, pondera, essa estratégia também pode significar um tempo maior para obter uma melhora do rating. "Não é possível ter estratégia gradual e sem progresso com melhora do rating", acrescenta.

Para Sifon, aprovação da proposta que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP) é muito importante, ainda que não tenha o mesmo peso que uma reforma da Previdência para o ajuste fiscal. "É exemplo de comprometimento do Executivo e do Legislativo. Se for aprovada, seria uma boa notícia dentro do quadro que estamos observando", diz.

Sifon afirmou que a reforma da Previdência é fundamental para o ajuste de contas públicas, uma vez que responde por quase metade dos gastos. No entanto, ele evita falar em prazos para que a medida seja aprovada ou o conteúdo mínimo que a proposta deve trazer. "Se for zero (da reforma da Previdência), não é possível fazer o ajuste fiscal", afirma.

Uma ação de rating envolvendo o Brasil pode acontecer a qualquer momento, até mesmo antes da disputal eleitoral de 2018, afirmou Sifon.

Em conversa com jornalistas, o especialista destacou que o tempo previsto para a próxima avaliação da nota brasileira é de seis a nove meses -isto é, antes das eleições de 2018. "Ainda precisamos ver o que acontece. É a realidade de trabalhar em mercados emergentes, as questões se movem de maneira muito fluida, muito rapidamente", diz.

Para ele, o anúncio do governo de que planeja privatizar a Eletrobras é um sinal positivo, mas não é algo que impacta o rating do Brasil ou a perspectiva de risco soberano. "Queremos ver o que acontece, mas agora não muda", acrescentou.

Sifon evitou comentar sobre a situação de fortalecimento ou fraqueza da equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. "Não queremos personalizar o processo de ajuste", diz o especialista. Ele lembra que, quando Joaquim Levy saiu do ministério da Fazenda, a S&P não mudou o rating, assim como quando ele chegou. "No fim do dia, não fazemos isso porque sabemos que uma coisa é a personalidade, outra é o que ela pode fazer e outra é o que consegue fazer", acrescenta. "Damos crédito para boas ações e temos visto boas ações".

Agora, se isso vai dar em resultados concretos é o que Sifon aguarda para ver. "Não é a pessoa, mas a direção", acrescenta.

Fonte: Valor - Finanças, por Lucas Hirata, 23/08/2017