A piora nas condições atuais derrubou a confiança industrial em agosto, o que indica um cenário de dificuldade para o setor nos próximos meses, segundo indica a prévia da Sondagem da Indústria da Transformação anunciada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O resultado preliminar do Índice de Confiança da Indústria (ICI), síntese da sondagem, caiu 0,8 ponto em relação ao número final de julho, para 99,3 pontos, o menor desde novembro de 2017 (97,5 pontos). É a primeira vez desde janeiro (99,4 pontos) que o índice fica abaixo de 100, linha que separa otimismo do pessimismo.
Para Tabi Thuler, coordenadora da sondagem da FGV, o resultado acende sinal de alerta para a atividade industrial para os próximos meses. Ela ressaltou que a taxa é o primeiro resultado do índice sem nenhum impacto da crise de desabastecimento causada pela paralisação dos caminhoneiros no fim de maio. Isto significa que seria o primeiro resultado "limpo" de choques, mostrando o que empresariado pensa sobre a demanda atual. "A demanda ainda não está sustentando um crescimento robusto", afirmou.
A especialista da FGV não informou percentuais específicos (que não são detalhados na prévia da sondagem), mas disse que a queda na confiança entre julho e agosto atingiu maioria dos segmentos analisados, insatisfeitos com momento presente.
O Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois sub-indicadores do ICI, indica queda de 2,4 pontos entre julho e agosto, para 96,6 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 0,8 ponto, para 101,9 pontos. Em junho, estes mesmos sub-indicadores apresentaram, respectivamente aumento de 3,9 pontos e queda de 3,9 pontos.
"O que talvez devêssemos nos perguntar não é por que o ISA caiu este mês, e sim por que subiu no mês passado" disse Thuler. Para a especialista, é possível que a melhora na situação atual no mês passado tenha sido provocada porque a base de comparação era baixa, já que se referia a junho, mês em que a atividade do setor foi fortemente afetada pela paralisação. Assim, segundo ela, a boa avaliação sobre momento presente seria de recuperação pós-greve, e não melhora na demanda.
Outro aspecto preocupante citado por ela foi a prévia do Nível de Utilização de Capacidade Instalada (Nuci), de 75,7% em agosto, mesma taxa de julho. Para ela, seria mais um dado a corroborar demanda em agosto abaixo das expectativas. "A estabilidade do Nuci, junto com piora na avaliação de momento presente, não é boa sinalização para os níveis de atividade de agosto e de setembro. Isto não indica aquecimento da retomada em relação a julho."
Thuler admitiu que, caso haja reação mais forte da demanda, a confiança industrial pode voltar a subir. Mas, até o momento, não há sinais disso, segundo ela.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Alessandra Saraiva , 22/08/2018

