A variação dos preços de imóveis em linha com a inflação tem se refletido no comportamento dos compradores. O levantamento "Raio X do Comprador de Imóveis", realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o portal Zap Imóveis, apontou que as aquisições de imóveis para investimento tiveram queda dos 48% apurados no primeiro trimestre para 34% no segundo trimestre.

A pesquisa incluiu 3.227 entrevistados - a maioria de São Paulo, Minas Gerais e do Rio de Janeiro -, que buscaram imóveis no Zap Imóveis desde o início do ano passado. "Para investidores de curto prazo, os imóveis não são mais alternativa", diz o presidente do Zap, Eduardo Schaeffer.

Em relação a preços de imóveis no curto prazo (período de um ano), o levantamento apontou que 41% dos entrevistados esperam alta do preço do metro quadrado de seu apartamento, 36% avaliam que os valores atuais serão mantidos e 23% estimam queda. Os investidores respondem pela maior parte (53%) dos imóveis até R$ 200 mil.

Quando questionados sobre a expectativa para o preço daqui a dez anos, 51% disseram esperar alta acima da inflação.

A pesquisa apontou também que parcela superior a 40% dos compradores não adquiriram imóveis com descontos. Para os que obtiveram abatimentos, o desconto médio entre o preço do imóvel anunciado e o valor do fechado foi de 6,5%.

De janeiro a julho, os preços de imóveis anunciados ficaram estáveis em termos reais, conforme o novo Índice FipeZap Ampliado. O indicador passou a ter 20 cidades em vez de 16, incluindo também Campinas, Santos, Contagem e Goiânia. O Índice FipeZap Ampliado apontou variação real, ou seja, descontada a inflação, de 0,2% até julho, o que aponta estabilidade. Na média nacional, o metro quadrado ficou em R$ 7.369.

Das 20 cidades pesquisadas, nove apresentaram variações abaixo da inflação até julho, uma ficou em linha e dez foram superiores à inflação, segundo o Índice FipeZap Ampliado.

Outras cinco cidades também passaram a ser monitoradas pela Fipe e pelo Zap - Guarulhos, Guarujá, Osasco, Praia Grande e São Vicente -, mas não serão incluídas no Índice FipeZap Ampliado, para evitar queda na série histórica, de acordo com o da economista da Fipe-USP e coordenador do índice FipeZap, Eduardo Zylberstajn.

No segundo semestre, os preços dos imóveis tendem a acompanhar a inflação, "com pequena elevação em algumas regiões não saturadas de São Paulo e do Rio de Janeiro, na avaliação de Schaeffer. Para a perspectiva que possa haver altas reais em alguns mercados, contribuem as medidas anunciadas pelo governo, nesta semana, de estímulo ao crédito imobiliário e os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem, de acordo com Schaeffer.


Fonte: Valor, por Chiara Quintão, 22/08/2014