O Ministério da Fazenda elevou sua previsão de crescimento da economia de 1,2% para 1,6% no próximo ano e disse que, sem um controle dos gastos públicos, a recuperação econômica brasileira que vai começar no final do ano não será sustentável. Ao anunciar a nova projeção, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Carlos Hamilton, disse ainda que, por enquanto, os cálculos apontam para uma “recuperação mais modesta” do que as ocorridas depois de outros períodos recessivos enfrentados pelo país.

Reportagem da Folha desta quarta­feira (17) mostrou que a retomada da economia brasileira será lenta, com uma intensidade menor que nos quatro ciclos anteriores de recessão no país. Os dados divulgados pela Fazenda serão usados para montagem do Orçamento de 2017 e mostram que, neste ano, o governo espera queda de 3% do PIB (Produto Interno Bruto). Antes, a projeção era de recuo de 3,1%. Questionado se a não aprovação do teto de gastos públicos poderia prejudicar a melhora da economia em 2017, Carlos Hamilton primeiro disse que o Orçamento do ano que vem será elaborado como se a medida tivesse sido aprovada, limitando o crescimento das  despesas à inflação deste ano.

Depois, afirmou que a não aprovação do teto “é a maior ameaça” ao crescimento sustentável da economia. A melhora na previsão de crescimento da economia pode, segundo o ministro Henrique Meirelles (Fazenda), evitar ou diminuir a necessidade de aumento de  ributos para cumprir a meta de fechar 2017 com um deficit de R$ 139 bilhões no governo federal.

Alguns analistas independentes e grandes bancos também já reviram para cima suas projeções para o PIB de 2017. O Santander, por  exemplo, prevê crescimento de 2%. O Bradesco, de 1,5%. Economistas consultados pelo Banco Central, na pesquisa Focus, estimam, em  édia, alta de 1,1% no ano que vem —o mais otimista deles crescimento de 2,4%. Carlos Hamilton disse que a nova projeção é realista e que muitos economistas deverão rever suas estimativas nos próximos trimestres.

Ao justificar a revisão do dado do PIB, citou a melhora de vários indicadores econômicos nos últimos meses, entre eles, a produção industrial, o CDS (uma das medidas de risco­país, que caiu pela metade desde o início do ano) e a confiança de investidores e  onsumidores. A Fazenda afirmou estimar um PIB positivo no quarto trimestre de 2016 em relação aos três meses anteriores, o que marcaria o fim do período de recessão. O governo manteve as projeções para inflação neste e no próximo ano em 7,2% e 4,8% (a meta é de 4,5%). Para Carlos Hamilton, a melhora nas estimativas para o PIB não implica maior inflação.

Servidores do Tesouro paralisaram suas atividades nesta quarta­feira (17) para participar de uma assembleia na qual foi definido que a categoria vai trabalhar em regime de “operação padrão” até que o governo abra uma nova negociação salarial. A movimentação do Tesouro cria dificuldades para quem tenta fazer aplicações no Tesouro Direto. A instituição também cancelou um leilão de títulos públicos que ocorreria nesta quarta, “por motivos de força maior”.

O movimento tem atrasado transferências governamentais e operações de crédito para Estados e municípios. Os funcionários do Tesouro estão entre os primeiros que aceitaram o reajuste de 21,3% para o funcionalismo acertado com a presidente afastada, Dilma  Rousseff. A proposta foi aprovada pelo Congresso e sancionada por Michel Temer. Posteriormente, o governo concedeu reajuste superior para algumas carreiras, como na Receita,  incluindo um bônus por eficiência. Em alguns casos, isso representa uma diferença salarial de até R$ 6.000, segundo a Unacon (sindicato da categoria).


Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Eduardo Cucolo e Valdo Cruz, 18/08/2016