A Hidrovias do Brasil começa a preparar seu próximo ciclo de investimentos, que deverá ser definido no segundo semestre deste ano. A companhia, que tem reduzido gradualmente seu endividamento, prevê ampliações pontuais até 2025, mas se prepara para uma expansão mais robusta a partir daí. “Estamos em uma fase de voltar a olhar para o crescimento da companhia”, afirma o presidente, Fabio Schettino.
Um dos focos centrais do crescimento será na operação do Arco Norte, que faz o escoamento de grãos do Centro-Oeste até o Pará. No curto prazo, a empresa já deverá ampliar sua capacidade no terminal privado em Barcarena (PA), dos atuais 7,2 milhões de toneladas por ano, para 7,9 milhões de toneladas até 2024, por meio de uma estrutura flutuante.
Já o projeto mais robusto de duplicação do berço de atracação do terminal ainda está em análise. “A ideia é que nosso terminal, que é em formato de ‘L’, passe a ser em ‘T’, haveria a construção de um novo berço. Estamos vendo qual seria a melhor solução de engenharia, de investimentos”, afirma. A área dessa expansão já está garantida.
Além disso, ainda no Arco Norte, a Hidrovias do Brasil estuda formas para atender melhor a movimentação de fertilizantes, com estruturas em Barcarena e em Miritituba (PA). “No início, a empresa vinha fazendo a movimentação concorrendo com o ciclo do grão. Mas agora que estamos com capacidade tomada, estamos estudando uma solução para atender fertilizantes, já que é uma carga de retorno.”
No Porto de Santos (SP), onde o grupo opera um terminal de fertilizantes, conquistado em leilão em 2019, também já existe um plano de ampliação da capacidade, embora a operação ainda esteja em fase crescente. A companhia pede, ao governo federal, a incorporação de uma área, localizada no meio do terminal, que elevaria a capacidade de 2,5 milhões de toneladas em mais 1,2 milhão de toneladas.
O financiamento do novo ciclo de investimentos dependerá da definição dos valores e do cronograma. Para as intervenções previstas em 2024 e 2025, a empresa prevê usar seu próprio fluxo de caixa, afirma Ricardo Pereira, diretor financeiro da Hidrovias do Brasil. Já para as obras mais amplas projetadas para o período de 2026 em diante, a estrutura de crédito será avaliada.
Neste momento, diz ele, não há planos de acessar o mercado de capitais, embora a empresa tenha recebido um sinal positivo na oferta secundária, realizada em julho deste ano, na qual os fundos de private equity do Pátria e da Temasek venderam ações. “Ficou claro que é uma opção viável e atrativa.”
O grupo tem consegui reduzir, trimestre a trimestre, sua alavancagem. Em junho, o indicador chegou a 4,04 vezes da relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado. A meta é chegar a um intervalo entre 3 vezes e 3,5 vezes, diz Pereira. A expectativa é alcançar esse patamar até o fim de 2024.
A dívida líquida do grupo teve uma queda anual de 13,2% no segundo trimestre deste ano, chegando a R$ 3,3 bilhões. A redução no período foi beneficiada pelo efeito da variação cambial nas dívidas em dólares, que representam a maior parte do total, e pelo reforço de caixa.
No segundo trimestre, a empresa aumentou seu lucro líquido de R$ 22 milhões, em 2022, para R$ 117,9 milhões, neste ano. A receita líquida da companhia avançou 44,9% na comparação anual, chegando a R$ 597,5 milhões no trimestre. O Ebitda subiu 90,8%, para R$ 327,5 milhões.
Os volumes movimentados pela empresa somaram 5,1 milhões de toneladas, uma alta de 10,3% na comparação anual. A alta se deu principalmente na operação de navegação costeira, que apresentou aumento de 12,3%, para 837 mil toneladas, e pelo início da operação de fertilizantes no Porto de Santos, que adicionou 317 mil toneladas, em comparação com o segundo trimestre de 2022, quando ainda não havia movimentação no terminal.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Taís Hirata — De São Paulo, 15/08/2023

