O governo deve elevar a previsão de crescimento econômico para 2017 na proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA), que será enviada até o fim deste mês ao Congresso Nacional. Por enquanto, a estimativa da equipe econômica é de expansão de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2017. "A probabilidade é muito grande de o número do ano que vem ser revisto para cima", afirmou ao Valor uma fonte da equipe econômica. Essa mudança tem impacto direto nas previsões sobre o comportamento das receitas tributárias e pode ajudar no cumprimento da meta de resultado primário do governo central de 2017, fixada em um déficit de R$ 139 bilhões.

Para este ano, o governo estima retração de 3,1% do PIB e a meta de resultado primário do setor público é de déficit de R$ 170,5 bilhões. Assim como empresários e analistas de mercado, os técnicos da área econômica acreditam que a economia parou de piorar e o segundo semestre será melhor do que o primeiro. Há, no governo, uma "forte" convicção de que a atividade vai dar uma virada entre o segundo e o terceiro trimestres. Os dados preliminares da arrecadação de julho já vieram alinhados com as projeções técnicas, revertendo uma tendência de surpresas mensais negativas para o governo.

"O vento fez a curva. Estava para um lado e mudou de direção. O segundo semestre será melhor do que o primeiro. Nós acreditamos fortemente na possibilidade, ainda em 2016, de termos crescimento na margem no trimestre contra trimestre" destacou uma fonte. "Estamos buscando as condições para que o Brasil volte a crescer." Esse cenário embute a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que fixa um limite de crescimento para o gasto público, e da reforma da Previdência Social, que são fundamentais para o resgate da confiança no país, explicou.

Para justificar a previsão mais otimista para 2017, um técnico da área econômica do governo citou os dados do Índice de Atividade Econômica do BC (IBC­Br) e o Índice de Atividade Econômica (IAE) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre­FGV). Esses indicadores mostram que o ritmo de piora da atividade vem se reduzindo. A série com ajuste sazonal do IBC­Br indicou, nos três meses encerrados em junho, uma queda da atividade de 0,53%, sobre os três meses anteriores. No primeiro trimestre do ano, a retração foi de 1,45%. Nos períodos anteriores. a contração da economia havia sido de 1,39% em dezembro de  2015, 1,86% em setembro de 2015, e de 2,24% em junho de 2015. No dado mensal, o IBC­Br subiu 0,23% em junho, após queda de 0,45% em maio.

O indicador do BC considera os setores da economia (agropecuária, indústria e serviços) e incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. O PIB calculado pelo IBGE, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período. O IAE mostrou, na série dessazonalizada, crescimento em junho de 0,45% em relação a maio. No segundo trimestre, houve queda de 0,31% na comparação com o primeiro trimestre, bem menor que a verificada no primeiro trimestre.


Fonte: Valor - Brasil, por Edna Simão e Eduardo Campos, 15/08/2016