Os analistas do mercado financeiro aumentaram a estimativa para a inflação deste ano, enquanto mantiveram as expectativas para a taxa básica de juros ao fim do período, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou a inflação de julho, que veio acima do esperado, provocando algumas revisões para cima no dado.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2018 aumentou de 4,11% para 4,15%. Para 2019, as apostas continuaram em 4,10%. Entre os analistas Top 5 (os que mais acertaram previsões), as revisões foram mais acentuadas. A mediana para o IPCA 2018 subiu de 4,10% para 4,16% e, para 2019, saiu de 4,07% para 4,20%.

Ambos os grupos - mercado em geral e Top 5 - mantiveram suas projeções para a Selic ao fim de 2018 e 2019. No primeiro caso, a estimativa se manteve em 6,50% e 8% e, no segundo, em 6,50% e 7,63%, respectivamente.

Na quarta-feira passada, o IBGE informou que o IPCA de julho desacelerou para 0,33%, de 1,26% em junho, mas ficou acima da média de 0,27% estimada por analistas. O índice foi pressionado principalmente pela alta na conta de luz. Já na quarta-feira, alguns bancos e consultorias tinham elevado as estimativas para a inflação no ano por causa do resultado.

Atividade econômica

Após três semanas em 1,50%, a mediana das projeções dos analistas de mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 1,49%, segundo o boletim Focus divulgado hoje. Para 2019, a mediana permaneceu em 2,50%.

Mais indicadores de atividade pós-greve dos caminhoneiros saíram na semana passada, apontando uma retomada enfraquecida da economia. O IBGE informou que as vendas do varejo restrito caíram 0,3% em junho, ante maio, feito o ajuste sazonal, quando se esperava alta ligeira de 0,1%. Em maio, o setor já tinha recuado 1,2% ante abril. No varejo ampliado - que agrega vendas de veículos e materiais de construção - a alta de 2,5%, não repôs nem metade da queda verificada em junho, de 5,1%.

O varejo ampliado, que tem forte correlação com o consumo das famílias, cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre, ante o primeiro trimestre, quando subiu 1,4%, feito o ajuste sazonal. Um indicativo de que a paralisação causou uma desaceleração considerável das vendas na comparação com os  três primeiros meses do ano.

Dólar

Os analistas que fazem parte do grupo Top 5 reduziram as previsões para o dólar ao fim de 2018 e de 2019.

Para o fim deste ano, a mediana das projeções do grupo saiu de R$ 3,55 para R$ 3,50 e, para 2019, de R$ 3,65 para 3,58.

Ambas as estimativas são mais baixas que as do mercado em geral, que foram mantidas em R$ 3,70 para o fim de ambos os anos, segundo o Focus.

Na semana passada, a moeda americana subiu 4,25% e, apenas na sexta-feira, teve a maior alta diária em um mês (1,64%) por causa da crise na Turquia, que afastou investidores de todas as moedas emergentes. Analistas de mercado, porém, afirmaram na sexta-feira que é preciso esperar as próximas sessões para saber qual a gravidade dessa nova crise e seu impacto global. No Brasil, as incertezas relacionadas à eleição presidencial também encarecem a moeda.

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Ana Conceição, 13/08/2018