Depois de um ano de negociação da reestruturação da dívida, a PDG Realty anunciou, na noite de quarta-feira, a assinatura dos contratos com os principais credores ­ Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú Unibanco ­ e com o Banco Votorantim. A assinatura é condição fundamental para a retomada das obras paradas da companhia e da entrega de todos os projetos em curso, segundo o presidente da incorporadora, Márcio Tabatchnik Trigueiro.

"Vencemos uma batalha crucial para a empresa que permite cumprirmos compromissos com os clientes", afirmou ao Valor o presidente da PDG. Os vencimentos reestruturados somam R$ 4 bilhões, 74% do valor total da dívida bruta de R$ 5,4 bilhões no encerramento de junho. As ações da companhia fecharam ontem com alta de 12,33%, cotadas a R$ 3,46. No ano, os papéis acumulam valorização de 112,26% Dos 35 projetos da incorporadora, 15 estão com obras paradas. Há também uma parcela em atraso. Parte das obras está com financiamento interrompido, o que deve ser normalizado com a reestruturação das dívidas. O pico da quantidade de obras paradas ocorreu em janeiro, mas não abrangeu todos os projetos.

Com exceção do Votorantim, os demais bancos vão oferecer R$ 20 milhões para cada R$ 100 milhões a serem pagos da dívida pela PDG. Esses recursos ­ com valor total de até R$ 200 milhões, e principal e juros a serem pagos ao fim de três anos ­, serão direcionados para custear despesas gerais e administrativas e para as obras, e têm liberação prevista até maio de 2017. As garantias são compartilhadas e atreladas a excedentes de alguns projetos. A PDG tem também R$ 100 milhões assegurados pela Vinci Partners ­ sua maior acionista ­ para despesas gerais e administrativas. De acordo com Trigueiro, a PDG já recebeu R$ 50 milhões da Vinci desse total.  Dos R$ 4 bilhões em vencimentos reestruturados, R$ 2,9 bilhões são dívidas corporativas com os cinco bancos renegociadas e assinadas. O R$ 1,1 bilhão restante se refere a operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) renegociadas e em fase de formalização e não inclui o Votorantim. Os vencimentos com Banco do Brasil, Caixa, Bradesco e Itaú Unibanco somam R$ 3,435 bilhões, enquanto os demais R$ 565 milhões correspondem à dívida com o Votorantim.

As obrigações com os cinco bancos foram prorrogadas por quatro anos, período em que os juros serão aferidos. Mas tanto o principal quanto os juros serão pagos somente em 2020. A taxa é de 120% do CDI, segundo o Valor apurou. "À medida que as garantias [ativos em garantia] dadas para cada banco forem vendidas, será possível amortizar e liquidar dívidas", disse o diretor financeiro e de relações com investidores, Maurício Fernandes Teixeira. Com isso, os credores podem receber o pagamento antes dos quatro anos previstos. Segundo Trigueiro, a companhia continuará a rolar outras dívidas, mesmo com a reestruturação anunciada. "Temos também renegociações com outros credores", contou. De acordo com o presidente da PDG, a companhia está em fase final da reestruturação do seu endividamento. Isso inclui a renegociação com credores dos vencimentos de 2016, de cerca de R$ 221 milhões.

Ao ser questionado, em teleconferência com analistas e investidores, sobre os rumos da PDG, o presidente disse que a visibilidade do caminho a ser adotado ainda não está clara, pois o foco das atenções estava na reestruturação da dívida. A PDG havia anunciado, em maio, a reestruturação de R$ 3,7 bilhões com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú Unibanco, por meio de acordo fechado em bloco, mas ainda faltava assinar os acordos. Inicialmente, o prazo previsto para a assinatura dos contratos era  de um mês e meio, mas o detalhamento dos acordos acabou levando mais tempo. Em meados de julho, a PDG anunciou que a venda de R$ 1,578 bilhão em ativos para o Votorantim e para a BV Empreendimentos e Participações (BVEP), anunciada em janeiro, foi suspensa. Na ocasião, o Valor apurou que PDG e Votorantim não tinham chegado a um acordo sobre preço e condições de venda de ativos, mas que a decisão de suspender a operação foi amistosa.


Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 12/08/2016