O ciclo de estabilização do segmento de escritórios comerciais já começou em São Paulo, na avaliação do diretor financeiro e de relações com investidores da BR Properties, André Bergstein. A interrupção do movimento de baixa do ciclo iniciado em 2014 já começa a ser observada na taxa de vacância, segundo o executivo, e será refletida, mais para frente, na recuperação dos preços de locação dos imóveis.
De acordo com o diretor de relações com investidores, é difícil projetar o ritmo de queda da vacância, e o aumento dos preços depende da retomada do crescimento da economia brasileira. "A queda dos juros e a redução da inflação ajudam muito o mercado imobiliário brasileiro", diz Bergstein. Diante da redução da nova oferta, o mercado tende a se recuperar nos próximos cinco anos.
Incluindo o edifício Passeio Corporate, a taxa de vacância física da BR Properties chegou a 30,7%, em julho, e a de vacância financeira, a 22,1%, abaixo dos respectivos indicadores de 32,6% e 22,9% no segundo trimestre. O aluguel mensal por metro quadrado teve leve alta de 0,8%, no trimestre, em relação ao do período de janeiro a março.
A BR Properties voltou às compras, nos últimos meses, de ativos - Passeio Corporate, Edifício Imbuia e Condomínio Centenário Plaza - em São Paulo e no Rio de Janeiro. A companhia encerrou o segundo trimestre com posição de caixa de R$ 998 milhões e alavancagem medida por dívida líquida sobre valor do portfólio de 39%. "Isso nos dá poder de fogo para eventuais aquisições", diz o diretor de relações com investidores.
A companhia teve prejuízo líquido de R$ 8,79 milhões, no segundo trimestre, com queda de 67% ante o mesmo período do ano passado. A perda resultou, principalmente, do efeito não caixa da desvalorização cambial sobre o bônus perpétuo em dólares, no total de R$ 26 milhões. No acumulado do primeiro semestre, porém, a companhia registrou lucro líquido de R$ 173,98 milhões, com alta de 118%.
No trimestre, a receita líquida vem da companhia caiu 13%, para R$ 104,68 milhões. O crescimento da vacância, na comparação anual, e a redução do aluguel de alguns contratos foram as razões para a retração da receita da BR Properties. Se considerada somente a receita das mesmas propriedades, a redução foi de 6%.
A BR Properties divulgou Ebitda ajustado de R$ 82,97 milhões, com recuo de 15% ante segundo trimestre de 2016. A margem do Ebitda ajustado caiu para 79%.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 09/08/2017

