Depois de anunciar queda de 15% no lucro líquido no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 315 milhões ante R$ 373 milhões, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, disse estar mais confiante no mercado e nos negócios até o final do ano.
Segundo Werneck, muitos setores já estão em recuperação desde o final do segundo trimestre. O executivo afirmou que na construção civil, por exemplo, o nível de atividade está “bastante intenso” e disse que os negócios retomaram acima das expectativas do setor.
“As construtoras estão acelerando as obras e os pedidos de aço. As nossas vendas de concreto armado foram 10% maior que o segundo trimestre de 2019 e 27% superior que o primeiro trimestre. Outro setor que está voltando é o de infraestrutura. Obras que estavam paradas estão voltando e as encomendas também”, informou o executivo.
Na avaliação de Werneck, a recuperação do mercado brasileiro está realmente acontecendo em “V”. “O único setor que não segue essa tendência é o automotivo, que está com uma retomada mais lenta”, disse o executivo.
Com o cenário mais positivo, Werneck, ressaltou que a Gerdau vai reajustar os preços da tonelada do aço no país. Em longos, o percentual vai variar de 6% a 8% já em agosto. Para os aços planos, a estimativa da Gerdau é que o aumento poderá ser de 11% em setembro.
“Em vergalhão estamos com um prêmio negativo em relação ao importado de 20% e com esse aumento em agosto somados aos cerca de 10% que repassamos em junho e julho, deveremos zerar este prêmio. Além desses setores, as vendas do varejo, que são puxadas por obras domésticas, foram impulsionadas pelo auxílio emergencial”, disse Werneck.
O varejo, aliás, segundo o executivo, representou 25% da receita da Gerdau no Brasil. No segundo trimestre, o faturamento da subsidiárias brasileira foi de R$ 3,56 bilhões. “É um volume muito importante para os negócios no Brasil.”
Outra frente que a Gerdau coloca como prioridade é a área de novos negócios. Segundo Werneck, nos próximos 10 anos, 20% da receita da companhia deverá vir dessa divisão. “Queremos ser muito mais serviços e menos commodities. É o caminho mais importante para nós. Há serviços de nicho, como o fornecimento de aços para energia eólica. Hoje, esses produtos são importados para fabricação de um gerador e a intenção agora de produzir no Brasil.”
Werneck ressaltou, ainda, que o volume exportado neste semestre deverá ser semelhante ao apurado no início de 2019. No segundo trimestre, foram 239 mil toneladas.
“Crescemos 34% na exportação no trimestre sobre o primeiro. A grande mudança de cenário ocorreu nos últimos meses e tivemos oportunidades mundo afora.” Segundo ele, a Gerdau já tem pedidos para três meses e em 30 a 40 dias a carteira de exportação até o final do ano será fechada. “Temos condições de retomar ao nível do início do ano passado.”
As exportações, segundo Werneck, devem ser uma ferramenta importante para melhorar a receita da companhia no segundo semestre. Segundo ele, no segundo trimestre, a Gerdau identificou oportunidades e exportaram até para a China, no período.
“Religamos o alto-forno 2 em Ouro Branco (MG) em junho para atender a exportação. Exportamos até para a China, que depois de 11 anos se tornou importador de aço em junho. Temos fechados negócios de exportação nesses meses e estamos preparados para atender a demanda. Essa será uma via interessante de geração de resultados no segundo semestre.”
Segundo ele, para a China a Gerdau exportou semi-acabados, como tarugos e placas. “Estamos sempre atrás de oportunidades, o que aconteceu na China foi interessante, mas quando se olha no volume total exportado é pequeno, quando se olha as oportunidades no mercado lobal. Com o alto-forno 2 e as vendas externas, vamos completar a nossa capacidade produtiva no Brasil.”
Com relação a investimentos, o vice-presidente de relações com investidores, Harley Scardoelli, disse que a companhia deverá reavaliar os recursos para 2021, ao final deste ano. De 2019 a 2020, a Gerdau estima aportar R$ 6 bilhões, sendo que neste ano, a expectativa são recursos da ordem de R$ 1,6 bilhão. O maior investimento desse plano é a reforma e expansão da usina de Ouro Branco, em Minas Gerais.
A Gerdau teve uma receita de R$ 8,74 bilhões, queda de 14% no comparativo com a mesma base de 2019. Já no primeiro semestre do ano, a receita líquida alcançou R$ 17,97 bilhões, retração de 11% no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando faturou R$ 20,18 bilhões.
O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 4% no segundo trimestre, para R$ 1,38 bilhão. No mesmo período do ano passado, a Gerdau teve um Ebitda de 1,45 bilhão. O Ebitda ajustado no trimestre, segundo a Gerdau, foi de R$ 1,31 bilhão, com queda de 16,2% no comparativo com abril a junho de 2019.
No semestre, o Ebitda foi de R$ 2,41 bilhões, queda de 18% em relação à mesma base de 2019.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Ana Paula Machado - de São Paulo, 06/08/2020

