A Juntos Somos Mais empresa da qual Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre são sócias - lançou, neste mês, sua nova plataforma online de vendas ao varejo. Em 2018, o faturamento da plataforma (marketplace) atingiu R$ 5,9 bilhões e, nos últimos 12 meses, R$ 6,7 bilhões. A estimativa é que a receita da Loja Virtual Juntos Somos Mais possa chegar a R$ 10 bilhões até 2021.

Segundo o presidente da Juntos Somos Mais, Antonio Serrano, a projeção inclui mais adesões ao marketplace. "Nossa expectativa é fechar pelo menos mais cinco contratos neste ano. O foco são as próprias empresas do programa de fidelidade Juntos Somos +, que agora são 18", diz Serrano.

As três sócias da Juntos Somos Mais investiram R$ 30 milhões na criação da empresa e se comprometeram com aportes de R$ 50 milhões no acumulado de 2019 e 2020. Sem informar quanto foi destinado ao novo marketplace, Serrano conta que os recursos fazem parte desse total previsto.

Desde 2014, a versão anterior da plataforma era utilizada pela Votorantim Cimentos e, a partir de novembro, com o lançamento da Juntos Somos Mais, a Gerdau passou a vender seus produtos também na loja virtual. A recente entrada da Tigre ocorreu, concomitantemente, ao início das operações da nova versão da plataforma, que pode comportar número ilimitado de empresas.

Os sistemas e cadastros do Mundo Tigre, programa de relacionamento que a Tigre possuía anteriormente, migraram para a Loja Virtual Juntos Somos Mais. Segundo Otto von Sothen, presidente da fabricante de tubos, conexões, ferramentas para pinturas, metais sanitários, portas e janelas, as vendas da Tigre por meio da nova plataforma poderão corresponder a patamar de 20% a 30% do total após três anos.

"Esperamos uma curva de aprendizado, mas lenta. O cliente precisa saber que essa possibilidade [de compra pelo marketplace] existe", diz Sothen. O executivo ressalta que a plataforma é um complemento para a estratégia de vendas multicanal e que os preços dos produtos serão os mesmos oferecidos pela comercialização por meio da força de vendas da Tigre. Segundo o Sothen, os clientes "valorizam muito a presença física do vendedor", e os negócios pela plataforma deverão ocorrer em situações como compras para reposição e necessidade de fechamento em prazo curto.

A Votorantim Cimentos tem 45% da Juntos Somos Mais Fidelizadora, enquanto Tigre e Gerdau possuem 27,5% cada uma. O programa de fidelidade tem 55 mil lojas de construção cadastradas. Já foram emitidos mais de 1,2 bilhão de pontos desde o lançamento do programa e feitos mais de 350 mil resgates.

A adesão mais recente ao programa de fidelidade foi do Portal Solar, um dos maiores marketplaces de energia solar do país. A meta é atingir um volume de negócios de R$ 1 bilhão até o fim de 2021, considerando a venda de um sistema a cada três meses em 4 mil a 5 mil lojas do programa. "Temos no portal cerca de 11,5 mil empresas instaladoras de painéis solares. A ideia da parceria é fazer a ponte entre os instaladores e as lojas de materiais de construção", disse Rodolfo Meyer, presidente do Portal Solar.

Segundo Meyer, como o programa é extenso, deve permitir que a rede de instaladores qualificados para geração solar fotovoltaica tenha a capilaridade necessária para atingir um grande volume de negócios. A projeção de R$ 1 bilhão em negócios usou premissas conservadoras, de acordo com o presidente do Portal Solar. "Nunca, no Brasil, foi feita a venda em lojas. Até então, havia apenas uma rede especializada. Agora, pretendemos promover os equipamentos em lojas de todo o país", afirmou.

Segundo ele, de 20 a 25 novas empresas entram no por dia no segmento de instalação de painéis solares, crescimento expressivo que acompanha os avanços da geração distribuída no Brasil. Nessa categoria de investimento, a energia gerada e não usada imediatamente é injetada na rede, e depois transformada em desconto na conta de luz do consumidor. Como são muitos instaladores, será feita uma triagem das empresas que poderão instalar os sistemas de energia solar dentro do programa de fidelidade.

Meyer acredita que o crescimento da procura por esse tipo de geração de energia ainda tem fôlego para avançar ainda mais. "O preço do equipamento cai de 5% a 15% ao ano", afirmou, completando que, ao mesmo tempo, as tarifas de energia das distribuidoras tendem a avançar. "Com isso o sistema fica mais competitivo a cada ano", disse.


Fonte: Valor - Empresas / Indústria, por Chiara Quintão e Camila Maia - de São Paulo, 31/07/2019