O braço de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (o FI-FGTS) vai recomeçar a investir em infraestrutura após uma interrupção de dois anos na assinatura de novos contratos. O retorno às aplicações ocorre depois de um período de mudanças provocado pela Operação Lava-Jato e também de baixo interesse de empresas em investir em meio à recessão. No novo modelo de seleção, já foram escolhidos projetos de R$ 2,8 bilhões, que estão agora em fase de estruturação.
Segundo o vice-presidente de administração e gestão de ativos de terceiros da Caixa, Flavio Arakaki, as regras atuais de investimento do fundo, criadas em 2017, estabelecem que os recursos do FI-FGTS devem ser aplicados após editais públicos de chamamento às empresas interessadas. Antes, as propostas eram levadas pela iniciativa privada diretamente aos comitês o que pode levantar suspeitas de favorecimento a determinados grupos.
Os primeiros investimentos sob o novo modelo serão feitos ainda neste ano. Segundo Arakaki, a maior parte dos projetos foi selecionada no primeiro edital e demandará R$ 1,3 bilhão em investimentos. Os contratos deverão ser assinados em dezembro. O principal empreendimento é o da Xingu Rio Transmissora de Energia, da chinesa State Grid, que pede R$ 1 bilhão.
Outros dois editais posteriores selecionaram mais R$ 1,5 bilhão em projetos e um terceiro está recebendo propostas até 31 de agosto. A intenção dos administradores é que o fundo invista por meio desses editais R$ 7 bilhões no total.
O fundo possui investimentos em ações, debêntures não conversíveis e cotas de fundos de investimento no valor de R$ 24,4 bilhões, dos quais R$ 3,7 bilhões referem-se a empresas ou grupos econômicos em processo de investigação ou outras medidas legais conduzidas pela Justiça e pelo Ministério Público, devido a práticas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Fonte: Valor - Finanças, por Fábio Pupo e Edna Simão , 31/07/2018

