Índice de Confiança da Construção (ICST) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) subiu 1,3 ponto em julho, para 95,2 pontos, após dois meses em queda. Em médias móveis trimestrais, o índice variou -0,1 ponto.

“A confiança do setor da Construção tem oscilado entre altos e baixos ao longo do ano, sem recuperar o patamar de neutralidade (100 pontos). Em julho prevaleceu o sentimento de melhora, refletindo a alta dos dois componentes do ICST. Vale destacar a recuperação do indicador de demanda futura, que registrou o melhor resultado desde outubro do ano passado. Com o maior otimismo em relação à demanda, aumentaram também as assinalações de aumento do quadro de pessoal nos próximos meses, o que pode sustentar o mercado de trabalho aquecido no setor”, observou Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre.

O avanço do ICST deste mês refletiu o resultado favorável dos seus dois componentes: o Índice de Situação Atual (ISA-CST) subiu 1,5 ponto, para 94,0 pontos; e o Índice de Expectativas (IE-CST) avançou 1,4 ponto, para 96,7 pontos, maior nível desde outubro de 2022 (103,2 pontos)empatado com abril deste ano.

Contribuíram para o avanço do ISA-CST os dois indicadores que o compõem. O indicador de situação atual dos negócios avançou 1,7 ponto, para 92,7 pontos, e o indicador de volume de carteira de contratos subiu 1,0 ponto, para 95,2 pontos.

Do lado das expectativas, apenas o indicador da demanda futura contribuiu para o crescimento do IE-S, ao avançar 3,6 pontos, para 100,1 pontos, maior nível desde outubro de 2022 (102,8 pontos). O indicador de tendência dos negócios nos seis meses seguintes recuou 0,9 ponto, para 93,2 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) da Construção retraiu 0,7 ponto percentual (p.p.), para 79,5%. O NUCI de Mão de Obra também caiu 0,7 p.p., para 80,6%, e o NUCI de Máquinas e Equipamentos cedeu 1,4 p.p., para 74,7%.

Entre os fatores que têm dificultado a melhora continuada da confiança ao longo do ano está o acesso ao crédito, que ficou mais caro e difícil para a maioria das empresas: em julho, 31,4% mencionaram dificuldade no acesso ao financiamento, enquanto apenas 9,9% indicaram facilidade. “A redução da Selic traz a perspectiva de alívio do quadro,” observou Ana Castelo.

 

Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Valor — São Paulo, 26/07/2023