A startup Dataland investiu para reduzir de até 20 horas para alguns minutos o acesso a informações sobre o melhor uso dos terrenos para o setor de construção civil. A empresa entra em operação em agosto e possibilitará, por meio de dados e algorítimos (“data science”), que incorporadoras, imobiliárias, fundos de investimento imobiliário (FIIs), bancos e fintechs tenham acesso ao potencial máximo de uso de terrenos da cidade de São Paulo. Em menos de dez minutos, o cliente obtém informações e orientações em relação ao projeto que melhor aproveita determinado espaço urbano. Na forma tradicional de definição de um projeto, seriam necessárias de 15 a 20 horas, segundo a idealizadora e presidente da Dataland, Cristina Della Penna.
Os investimentos desde a criação da startup somam R$ 2 milhões. A Dataland projeta faturamento de R$ 5 milhões para o primeiro ano, de R$ 12 milhões, para o segundo, e de R$ 30 milhões, para o terceiro. O valor a ser pago pela utilização das plataformas não é informado e vai variar conforme o volume de acessos.
Criada há um ano, a startup passou os últimos meses aprimorando seus algorítimos a partir de parcerias com 30 clientes - como Credit Suisse, Even Construtora e Incorporadora, EZTec, Gafisa, GTIS, entre outros -, que tornaram disponíveis, sem nenhum custo, informações dos respectivos bancos de terrenos. “Atualmente, o mesmo terreno é oferecido para 10, 15 incorporadoras diferentes, em um processo pouco digitalizado. Oferecemos plataformas para que o cliente possa tomar decisões com base em dados estruturados”, diz a presidente da startup.
A Dataland coletou informações dos quase 3,5 milhões de lotes - construídos ou não - da cidade de São Paulo. O levantamento abrange informações do terreno, possibilidades de uso a partir do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento. Os dados foram coletados em órgãos públicos, como a Prefeitura de São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cesteb), a Receita Federal e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O cliente pode buscar um terreno em que tem interesse e acessar, por exemplo, o que há no entorno em relação a prédios comerciais, escolas, hospitais, supermercados, malha de transporte público, itens que pesam na tomada de decisão do comprador de um imóvel. Há informações também sobre a ocupação atual e futura do entorno da área. O sistema permite que um proprietário de terreno também procure informações sobre possibilidades de construção no local.
A startup terá várias plataformas disponíveis, para atender a demandas diversas dos clientes.
A incorporadora ou o investidor financeiro pode acessar qual o coeficiente máximo de aproveitamento do terreno e saber de que incentivos pode lançar mão, como fachada ativa, para aumentar a área construída. Trata-se de suporte para a decisão de qual o perfil mais indicado para o empreendimento. É possível saber também se o terreno está em área contaminada ou de proteção ambiental.
Em parceria com a Órulo, a Dataland oferece informações sobre lançamentos imobiliários, projetos em obras e estoque de unidades da região.
O cliente tem a opção de solicitar que os algorítimos sugiram qual o melhor uso para o terreno de seu interesse, a partir de série histórica traçada com base em 40 indicadores, com informações sobre dados de velocidade de comercialização de imóveis e valores de venda da região.
Além de Cristina, a startup tem como fundadores o irmão da empresária, Roberto Della Penna, diretor de operações, e Leonardo Artiero, diretor de tecnologia. Outros sócios passaram, posteriormente, a fazer parte da Dataland - a Potato Valley, de Leonardo Diniz (ex-presidente da Rossi Residencial), e a Pedralva Holding, de Ricardo Bressiani.
Há quase 30 anos no mercado imobiliário, a presidente da Dataland começou sua carreira na Gerdau, onde foi executiva por dez anos. Cristina deixou a siderúrgica para fundar, em 2003, a Criactive, empresa de pesquisa de dados nos canteiros de obras e consultoria para o mercado imobiliário. Tornou-se sócia da empresa de análise de dados Neoway. Posteriormente, se associou também à Ambar quando a construtech comprou a Conaz, da qual a presidente da Dataland foi investidora-anjo.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 26/07/2021

