Num cenário onde reinam chapas de aço, estruturas metálicas, sacos de cimento e betoneiras, surge o inusitado: oficinas socioculturais. Os educandos portam equipamentos de proteção individual e uniformes, mas também trazem consigo livros, atenção e muita curiosidade. Essa realidade faz parte da rotina dos trabalhadores da construção civil que participam de ateliês organizados pela ONG Mestres da Obra, com o apoio da Editora Moderna. O projeto é realizado em canteiros de obras em diversas regiões do Brasil, com ações em prol do desenvolvimento humano e da qualidade de vida no trabalho.
Com oficinas de arte que ocorrem toda semana ou quinzenalmente, os operários desenvolvem atividades educativas e culturais pautadas em temas de interesse geral, como música, fotografia, artes plásticas, cênicas e visuais, meio ambiente, e também de assuntos relacionados à área de atuação dos trabalhadores, como o desenvolvimento urbano e a sustentabilidade. Para tal, os participantes utilizam livros da Editora Moderna que abordam esses temas e ajudam na assimilação do conteúdo aplicado em “sala de aula”, inspirando também a criação de suas próprias “obras de arte” a partir dos resíduos das construções. Do início da parceria com a Moderna, em 2012, até hoje, mais de 1.500 operários foram beneficiados.
Atualmente, o projeto está em andamento em obras localizadas nas cidades de São Paulo, Campinas, Sorocaba e São Bernardo do Campo. Há previsão ainda da realização de oficinas em Brasília, no estado da Bahia e também na região da Baixada Santista, em São Paulo. “Nossa expectativa é levar nossas aulas para cerca de 1.000 operários este ano”, vislumbra Arthur Pugliese, diretor institucional e fundador da ONG Mestres da Obra.
Em 2014, cerca de 500 alunos participaram das oficinas inspiradas na releitura de livros sobre cultura popular brasileira, artes plásticas e música. Sucesso em todos os ateliês, “A orquestra tintim por tintim” (Ed. Moderna), de Elisa da Silva e Cunha, Liane Hentschke, Luciana Del Ben e Susana Ester Kruger, volta a figurar entre as obras escolhidas para 2015, ao lado de “Cidades brasileiras – do passado ao presente”, de Rosicler Martins Rodrigues, e Frans Krajcberg – Arte e Meio Ambiente, de Roseli Ventrella e Silvia Bortolozzo.
Pugliese pontua que a escolha dos títulos vai ao encontro do conceito de sustentabilidade apoiado pela ONG e revela que o projeto acaba envolvendo também os familiares de quem participa: “Nossas ações são focadas para que despertem nos alunos um olhar diferente sobre as coisas, de maneira que possibilite uma nova forma de entender a si mesmo e o mundo em que vivemos. E felizmente muitos dos livros escolhidos acabam extrapolando os tapumes da obra e migram para o lar dos participantes que acabam compartilhando o conteúdo e as descobertas feitas nos ateliês com filhos e amigos”.
“A Editora Moderna acredita no potencial transformador da educação e da cultura, que possibilita ampliar horizontes e proporcionar melhores condições de vida para muitas pessoas. É gratificante poder contribuir com o projeto Mestres da Obra nesses últimos quatro anos”, ressalta Luciano Monteiro, diretor de relações institucionais da Editora Moderna.
Sobre o Mestres da Obra
O Mestres da Obra é uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que há mais de uma década contribui para o desenvolvimento humano dos trabalhadores da construção civil nas questões relacionadas à educação, cultura e saúde. Como atividade central, a ONG implanta ateliês de arte dentro
de canteiros de obras e utiliza como matéria-prima em suas atividades os diversos resíduos gerados no próprio canteiro. O programa Mestres da Obra atua juntamente com outras ações, na criação de condições para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho mais saudável, busca a formação de uma realidade de valorização humana e possibilita a construção de conhecimentos, fortalecendo assim a autoestima desses trabalhadores
Fonte: Obras 24 horas, 24/07/2015

