As prévias operacionais das incorporadoras de capital aberto divulgadas até o fechamento da edição de ontem demonstraram, em sua maioria, desempenho de vendas no segundo trimestre inferior ao do mesmo período do ano passado. Já se sabia que lançamentos e vendas seriam afetados pela Copa do Mundo, quando poucas incorporadoras apresentaram novos projetos, mas a piora do cenário macroeconômico contribuiu para reforçar a postura de cautela dos potenciais consumidores.

De abril a junho, Cyrela Brazil Realty, Direcional Engenharia, Even Construtora e Incorporadora, Gafisa, MRV Engenharia e Rodobens Negócios Imobiliários lançaram, em conjunto, R$ 3,2 bilhões, o que representa queda de 2,7% ante o intervalo equivalente de 2013. As vendas tiveram retração mais acentuada, de 21,3%, para R$ 3,6 bilhões. As cifras incluem somente as parcelas próprias dessas incorporadoras nos empreendimentos.

A fraca velocidade de vendas reportada na maior parte das prévias divulgadas é um dos pontos que mais chama a atenção de analistas. No trimestre, a velocidade de comercialização medida pelo indicador VSO (vendas sobre oferta) da Gafisa foi de 12,6%, da Even, de 13% e da Direcional, de 13,5%. Analistas ressaltam que o fato de a Even ter feito lançamentos durante a Copa contribuiu para a VSO de 13%.

No semestre, os lançamentos das seis incorporadoras cresceram 35%, para R$ 7,66 bilhões e as vendas subiram 2,3%, para R$ 8,09 bilhões. Não está claro se será possível para parte das empresas reverter, no segundo semestre - sazonalmente o mais aquecido -, o desempenho de vendas sinalizado na primeira metade deste ano. "Devido ao cenário macroeconômico mais difícil, algumas empresas podem lançar e vender menos do que se esperava", afirma um analista que acompanha o setor.

O mercado continua atento aos estoques de imóveis das incorporadoras. Esperava-se que o ritmo de absorção das unidades em estoque, incluindo os lançamentos do último trimestre do ano passado, fosse maior do que ocorreu.

No início desta semana, a diretora-geral de atendimento da Lopes, Mirella Parpinelle, disse esperar que o segundo semestre seja melhor do que a primeira metade do ano, mas que, no acumulado de 2014, o volume lançado será inferior ao de 2013. Já o superintendente de relações com investidores da concorrente Brasil Brokers, Rodrigo Cuesta, afirmou que os lançamentos de 2014 devem apresentar "alguma estabilidade ou retração" ante 2013.

Para Cyrela e Direcional, além da Copa e da piora do cenário econômico, a não contratação de projetos da faixa 1 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida de abril a junho contribuiu para a queda de lançamentos e vendas na comparação com o segundo trimestre do ano passado.

Das incorporadoras que divulgaram prévias até o fechamento da edição de ontem, Gafisa, MRV e Even elevaram lançamentos no trimestre ante o mesmo intervalo de 2013. A Gafisa lançou R$ 413,7 milhões, 66% acima do segundo trimestre do ano passado. O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado pela MRV subiu 65%, para R$ 1,05 bilhão. No caso da Even, a alta foi de 14%, para R$ 586 milhões.

Em relação às vendas, Gafisa e MRV foram as únicas a apresentar expansão. A Gafisa comercializou R$ 433 milhões, valor 12% superior ao do segundo trimestre de 2013. As vendas da empresa mineira tiveram alta 10%, para R$ 1,52 bilhão. A velocidade de vendas da MRV foi de 26%.

No semestre, a MRV lançou R$ 2,21 bilhões, 59% a mais do que na primeira metade de 2013, e teve vendas recordes de R$ 3,057 bilhões, com alta de 23%. Sem informar se espera que a segunda metade do ano seja melhor do que a primeira, o co-presidente da MRV, Rafael Menin Teixeira de Souza, disse não ver motivos para mudanças no curto prazo. "O segundo semestre será muito bom", afirma Menin.

O co-presidente da MRV ressalta que, no segmento econômico, em que a empresa atua, a oferta não é suficiente para atender à demanda. "O mercado é mais resiliente no segmento econômico", diz Menin. A MRV concluiu 10.031 unidades no trimestre (alta de 21%) e 18.482 no semestre (expansão de 27%). O volume de repasse da dívida do cliente para o banco teve retração de 14%, para 10.796 mil no trimestre e queda de 20% no semestre, para 18.241 mil unidades.




Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão, 18/07/2014