O setor de construção civil divulgou, ontem, manifesto em que rejeita o aumento dos preços de cimento, concreto e outros insumos. Anunciadas desde meados de junho, no Estado de São Paulo, as altas ficam entre 3% e 10%, segundo o vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan.

“O momento é muito inoportuno para os aumentos de cimento e derivados em contratos de obras em andamento”, afirma Zaidan. Segundo o vice-presidente do Sinduscon-SP, não havia previsão de alta, e a variação informada pelas cimenteiras está “fora de qualquer índice”.

O saco de 50 quilos do cimento custa de R$ 18 a R$ 20 no Estado de São Paulo, de acordo com Zaidan. Segundo fonte do setor de cimento, os preços do saco do insumo tiveram queda de 1,7% no período de 2015 a 2019.

Além do Sinduscon-SP, assinaram o manifesto o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de São Paulo (Sintracon-SP), a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e o Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Procurado pelo Valor, o presidente do Sindicato da Indústria Nacional do Cimento (SNIC), Paulo Camillo Penna, disse que a entidade não se manifesta a respeito de relações comerciais entre indústrias do setor e clientes, principalmente, sobre preços.

No primeiro semestre, as vendas de cimento cresceram 3,6%, para 26,9 milhões de toneladas, de acordo com informações do SNIC. Em entrevista ao Valor, na semana passada, Penna disse que a melhora foi puxada pela autoconstrução, ou seja, pela compra de materiais para reforma ou ampliação de residências.

O setor de cimento segue com 22 fábricas fechadas e 44% de ociosidade. “Sabemos que há fornos desligados e usinas paradas, mas não é hora de aumentar preços para obras em andamento”, afirma Zaidan. O representante do Sinduscon-SP avalia que, no caso de novas obras, pode ser possível repassar a alta do custo.

De acordo com os signatários do documento, se os aumentos forem efetivados, haverá “mais desemprego, ao trazer prejuízos às obras em andamento e acarretar maiores gastos nas obras públicas por parte da União, Estados e Prefeituras que já estão com seus orçamentos comprometidos”.

“Neste momento em que a crise econômica derivada da pandemia da covid-19 se agrava com o fechamento de empresas, demissões ou reduções de jornadas e salários e suspensões de contratos de trabalho, a responsabilidade do governo e dos agentes produtivos é de gerar e manter empregos, e não de elevar preços”, disseram as entidades de construção por meio do manifesto.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 16/07/2020