O nível de atividade seguiu em expansão fraca em maio, mas com composição mais desigual entre os setores da economia, avaliam analistas. Segundo a estimativa média de 24 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,3% em relação a abril, feitos os ajustes sazonais, praticamente o mesmo ritmo registrado na medição anterior, quando aumentou 0,28%.
As projeções para o dado, a ser divulgado hoje pelo BC, vão de redução de 0,1% até avanço de 0,6%. O IBC-Br tem metodologia diferente das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, mas é considerado uma aproximação do comportamento mensal do Produto Interno Bruto (PIB). Para calculá-lo, a autoridade monetária leva em conta a produção estimada para os setores de agropecuária, indústria e serviços, acrescida de impostos.
Após um bom ritmo de expansão dos três principais indicadores de atividades em abril, o desempenho em maio foi "bastante desigual", observa a equipe econômica do banco MUFG em relatório. Na passagem mensal, a produção industrial cresceu 0,8%, enquanto as vendas do varejo ampliado (incluem automóveis e material de construção) caíram 0,7%, e o volume de serviços prestados recuou 0,1%.
Com base na variação dos três índices, o MUFG trabalha com expansão de 0,2% do IBC-Br no quinto mês do ano, mas ressalta que, em junho, os dados de atividade devem ser afetados negativamente pela crise política desencadeada na segunda quinzena de maio. O aumento da turbulência se refletiu sobre os índices de confiança de consumidores e empresários, que diminuíram, afirmam os economistas do banco. "Nesse sentido, esperamos contração da atividade econômica em junho."
Para Natalia Cotarelli, economista do banco ABC Brasil, ainda não é possível mensurar o impacto da incerteza política sobre a economia porque poucos dados para além de 17 maio foram divulgados. Mesmo assim, ela avalia que o PIB do segundo trimestre deve ser ligeiramente negativo, depois do aumento de 1% observado de janeiro a março, devido à saída do efeito sazonal das safras recorde. Em maio, segundo sua estimativa, o IBC-Br teve crescimento de 0,28%.
"Vemos uma recuperação ainda muito volátil", afirma Natalia, para quem a reação deve ganhar velocidade no terceiro e no quarto trimestres, embora em ritmo modesto. Em sua avaliação, a redução dos juros surtirá maior efeito sobre a atividade no segundo semestre, período em que os investimentos também devem ganhar algum fôlego, em função da recomposição de estoques. Mesmo assim, a expansão do PIB na média de 2017 será de apenas 0,3% na projeção do ABC Brasil.
Segundo o UBS, que espera avanço de 0,5% do IBC-Br em maio, o Brasil já deixou a recessão para trás. "Todos os principais setores produtivos estão saindo do terreno recessivo", comentam os economistas do banco suíço. A tendência de recuperação, no entanto, ainda é oscilante e sujeita a riscos não econômicos que podem afetar o humor empresarial e do consumidor, ponderam os analistas.
"Uma economia que acabou de começar a sair da pior recessão em um século, a elevada capacidade ociosa, o desemprego de dois dígitos e as expectativas de inflação abaixo da meta sugerem que o Banco Central vai continuar a reduzir os juros, provavelmente a um nível abaixo do consenso de mercado para 2017", dizem os economistas do UBS em relatório. O banco estima que a taxa Selic terminará o ano em 7,5% ao ano, enquanto a mediana de estimativas do mercado é 0,75 ponto percentual maior.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Arícia Martins, 14/07/2017

