Os juros futuros encerraram a terça-feira (13) em alta, em uma dinâmica bastante associada à curva de rendimentos (yields) dos títulos públicos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasury).
Os yields do Treasury com vencimento em dez anos escalavam acima do nível de 1,4%, depois que o leilão dos papéis da dívida americana de 30 anos registrou a demanda mais fraca desde fevereiro. Além disso, a leitura acima do esperado da inflação ao consumidor de junho nos EUA também deixou as taxas locais mais pressionadas ao longo do dia.
Finalizado o pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 5,81% no ajuste anterior para 5,835%; a do DI para janeiro de 2023 subiu de 7,32% para 7,385%; a do contrato para janeiro de 2025 escalou de 8,37% para 8,44% e a do DI para janeiro de 2027 foi de 8,77% para 8,86%.
Depois de operarem em alta durante toda a manhã, as taxas futuras ampliaram o ritmo e foram às máximas do dia na etapa vespertina desta terça-feira, em um movimento bastante alinhado ao exterior. No leilão de US$ 38 bilhões em T-bonds de 30 anos, a taxa bid-to-cover, um indicativo da demanda, ficou em 2,19 vezes, abaixo da média das últimas seis operações (2,38x). O resultado fez os retornos dos Treasuries longos subirem mais de 5 pontos-base, o que puxou para cima a curva de juros brasileira, em um movimento de “bear steepening”.
Além da influência da curva americana, os juros futuros já operavam em alta desde o início dos negócios, em um movimento que se mostrou mais firme após a divulgação dos números bem acima do esperado da inflação ao consumidor dos Estados Unidos em junho. Na avaliação do economista sênior do Commerzbank, Christoph Balz, os dados fortes de inflação “devem alimentar o debate sobre uma mudança na política monetária”. O banco alemão mantém sua visão de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve enviar sinais correspondentes a esse cenário nos próximos meses e decidir reduzir suas compras de títulos no quarto trimestre deste ano.
Por outro lado, os economistas Michelle Meyer e Alexander Lin, do Bank of America, não acreditam que os números do CPI de junho mudem o cenário para a política monetária. “As pressões transitórias sobre os preços permanecem galopantes nos dados de inflação e podem estar chegando ao fim, com risco de retorno negativo no próximo ano”, apontam. Eles enfatizam, ainda, que, embora a inflação refletida no setor imobiliário tenha aumentado, ainda não sinaliza uma inflação problemática no momento.
Internamente, o leilão semanal de NTN-Bs realizado pelo Tesouro Nacional também teve impacto sobre a curva de juros, especialmente nos trechos mais longos, em um dia de lote grande de papéis atrelados à inflação, aponta o trader de renda fixa da Renascença Luis Laudisio. O Tesouro colocou integralmente a oferta de 1,8 milhão de papéis, mas deve-se notar o lote expressivo de 1 milhão de NTN-Bs com vencimento em agosto de 2030, o que coloca pressão sobre os juros futuros.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Felipe Saturnino e Victor Rezende, Valor — São Paulo, 13/07/2021

