O Santander anunciou a redução da taxa de juros do crédito imobiliário de 8,99% para 7,99% ao ano, em meio à retomada da demanda e ao acirramento da concorrência entre os bancos que atuam no setor.
Com a nova rodada, o Santander volta a ter a taxa nominal mais baixa do mercado. O custo efetivo total, porém, ficou em 8,94% em simulação feita pelo banco considerando um contrato de 35 anos, R$ 200 mil financiados e um tomador de 40 anos de idade.
O movimento vem um mês depois de a Caixa reduzir as taxas do financiamento habitacional. Na ocasião, a máxima caiu de 11% para 9,75% ao ano e a mínima foi de 8,75% para 8,5% ao ano.
"Foram anos de crise nas incorporadoras e estoques altos. Agora, estamos vendo uma demanda maior. Todos os bancos estão contratando volumes muito superiores", afirmou José Roberto Machado, diretor-executivo de pessoa física do Santander.
Há uma melhora da confiança na recuperação da economia, o que é positivo para o crédito imobiliário, embora o primeiro trimestre tenha sido mais forte que o segundo, acrescentou Paulo Duailibi, superintendente-executivo de negócios imobiliários do banco.
Nos cinco primeiros meses do ano, o volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança alcançou R$ 27,7 bilhões, alta de 39,7% frente ao mesmo período de 2018. Os dados são da Abecip, associação das instituições que operam com o produto.
O corte também ocorre em reação a uma aceleração dos concorrentes. O Santander, que aparecia em segundo lugar no mercado em maio do ano passado, está agora em quarto, atrás de Caixa, Bradesco e Itaú Unibanco. O banco estatal retomou a liderança depois de ter tirado o pé do acelerador nos últimos dois anos. O Itaú também arrancou com mais força nos meses mais recentes.
Na média, a taxa praticada pelos cinco maiores bancos do país está em 8,51% ao ano, segundo dados compilados pela Melhortaxa, plataforma que compara propostas de financiamento à habitação. Até agora, o menor patamar cabia ao Bradesco, com contratos fechados a 8,1% ao ano, aponta a fintech. "A iniciativa [do Santander] é muito boa para estimular a concorrência", afirmou Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa.
O próprio Santander encabeçou duas rodadas anteriores de corte de juros no setor, na metade de 2017 e no ano passado, que estimularam o mercado como um todo a se movimentar.
Por enquanto, as novas condições valem para operações contratadas em julho e agosto. Porém, a tendência é que se tornem permanentes se o cenário macroeconômico não mudar. A taxa Selic está em 6,5% ao ano e a expectativa no mercado é que caia nos próximos meses. "Vamos reavaliar a situação depois desses dois meses", disse Machado, do Santander.
Para divulgar o corte, o Santander terá campanha publicitária estrelada pela empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza. No período promocional, os clientes que contratarem o crédito no banco ganharão uma geladeira, fruto da parceria com a rede varejista.
Apesar disso, a estratégia do Santander não é direcionada a nenhuma faixa de renda específica, segundo Gustavo Alejo, diretor de crédito para pessoa física. A taxa é aplicável a imóveis de qualquer preço, com valor financiável de pelo menos R$ 60 mil.
Fonte: Valor - Finanças, por Talita Moreira - de São Paulo, 02/07/2019

