taxa de desemprego no país ficou em 14,7% no trimestre encerrado em abril de 2021, mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa repete o resultado de março, que foi o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012, e ficou acima do verificado no trimestre móvel anterior (encerrado em janeiro, de 14,2%).

É também a maior taxa para abril de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. A maior até então tinha sido a de abril de 2017 (13,6%). Em abril de 2020, a taxa foi de 12,6%. O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 28 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma taxa de 14,7% no trimestre encerrado em abril. O intervalo das projeções ia de 14,5% a 15,1%.

No trimestre até abril, o país tinha 14,8 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, sem encontrá-lo. O número aponta crescimento de 3,4% frente ao trimestre anterior (489 mil pessoas a mais) e alta de 15,2% frente a igual período de 2020 (1,9 milhão de pessoas a mais).

No período, a população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) era de 85,9 milhões de pessoas. Isso representa estabilidade estatística em relação ao trimestre móvel anterior, encerrado em janeiro, e queda de 3,7% frente a igual trimestre de 2020 (3,3 milhões de pessoas a menos).

Já a força de trabalho – que soma pessoas ocupadas ou em busca de empregos com 14 anos ou mais de idade – estava em 100,7 milhões no trimestre até abril de 2021, estável frente ao trimestre anterior e 1,3% abaixo de igual período de 2020 (1,4 milhão de pessoas a menos).

IBGE: Procura por trabalho aumenta, mas mercado ainda não consegue absorver mais trabalhadores

O mercado de trabalho apresenta, neste momento, um descompasso, com aumento da procura por trabalho, mas ainda sem capacidade de absorver esses trabalhadores. A avaliação foi feita por Adriana Beringuy, responsável pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), cujo resultado para o trimestre móvel encerrado em abril foi divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desemprego no período ficou em 14,7%, mantendo-se no recorde da série histórica, iniciada em 2012, atingido no trimestre encerrado em março. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em janeiro, no entanto, houve avanço, já que a taxa era de 14,2%.

“A gente está num momento em que há crescimento da desocupação e a ocupação não responde da mesma maneira, então acaba tendo esse descompasso. Maior procura por trabalho com uma resposta ainda não tão forte da ocupação para absorver esses trabalhadores”, diz ela, apontando que é preciso aguardar os próximos meses para avaliar a evolução do mercado.

Segundo Adriana, é natural o aumento da busca por trabalho após as fortes perdas ocorridas ao longo de 2020 e não se pode esperar que a questão seja resolvida em poucos meses. “Tudo o que ocorreu em 2020 dificilmente vai se resolver nos primeiros quatro meses do ano. Vamos acompanhar mês a mês esse processo de recuperação”, afirma ela, reforçando que não se pode esperar que haja geração de ocupação equivalente neste início do ano para absorver tantas pessoas que voltam agora a pressionar o mercado. “Vamos ver ao longo do ano como vai ser a resposta da demanda por trabalho”.

O aumento do desemprego na comparação com o trimestre anterior (encerrado em janeiro), está ligado tanto ao momento da pandemia quanto à própria sazonalidade do período, já que tradicionalmente há avanço no trimestre encerrado em abril.

“Nos trimestres encerrados em abril, geralmente há aumento da desocupação. Então não seria de se espantar. Além disso, vive em abril o carregamento dos meses de fevereiro e março, em que houve restrição para atividades em diferentes regiões. Então pode haver influência do comportamento normal desse período como das medidas de restrição por causa da pandemia”, diz.

Massa salarial fica estável no trimestre móvel até abril, em R$ 212,3 bilhões

A massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) foi de R$ 212,3 bilhões no trimestre de fevereiro a abril de 2021. O número aponta estabilidade estatística frente ao trimestre móvel anterior (encerrado em janeiro), apesar do recuo de 1,8%, e uma queda de 5,4% frente a igual período do ano anterior (menos R$ 12,056 bilhões).

A renda média dos trabalhadores ficou estatisticamente estável também, segundo o IBGE. De acordo com dados da Pnad Contínua, divulgada nesta quarta-feira pelo instituto, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (considerando a soma de todos os trabalhos) foi de R$ 2.532 no trimestre móvel até abril de 2021, recuo de 1,7% frente ao trimestre móvel anterior e 1,5% abaixo de igual período de 2020. As duas variações, no entanto, estão dentro do intervalo de erro do IBGE.

População ocupada fica estável, mas trabalhador por conta própria tem expansão significativa

Os resultados do mercado do trabalho no trimestre móvel encerrado em abril de 2021 mostram que a população ocupada ficou estável, enquanto avançou o contingente de trabalhadores por conta própria. Adriana Beringuy aponta que este é o tipo de inserção no mercado de trabalho que mais vem crescendo nos últimos meses.

“O trabalho por conta própria é o que mais vem se recuperando nos últimos meses. Ele cresce há três trimestres seguidos, na comparação com o trimestre anterior. E, no confronto anual, percebe uma inversão. Após quatro trimestres de queda, começou a subir”, destaca ela. “Apesar da população ocupada como um todo ter ficado estável, o trabalhador por conta própria mostra uma expansão significativa”.

A população ocupada no país ficou em 85,940 milhões no trimestre encerrado em abril, estatisticamente estável frente ao trimestre anterior, embora registre recuo de 0,1% (85 mil pessoas a menos).

Já o contingente de trabalhadores por conta própria aumentou 2,3% na mesma base de comparação, uma diferença de mais de meio milhão de pessoas (537 mil), para 24,040 milhões. Na comparação com igual trimestre de 2020, a alta foi de 2,8%, após quatro recuos seguidos.

“Boa parte da recuperação da ocupação se deve justamente ao trabalho por conta própria, que é um dos principais segmentos da informalidade”, diz Adriana.

O trabalho por conta própria é geralmente associado às dificuldades de inserção no mercado de trabalho, quando cada um, de forma autônoma, busca sua alternativa para geração de renda.

Na avaliação de Adriana Beringuy, esse crescimento dos trabalhadores por conta própria pode vir tanto de quem perdeu vagas formais como pela necessidade de aumento da renda familiar, quando houve alguma perda de rendimento em função da crise provocada pela pandemia.

“O avanço do conta própria pode estar relacionado tanto a pessoas que perdem trabalho formal e não conseguem se inserir nas atividades que tinham anteriormente como a outras pessoas que estão tentando se inserir agora. [Um exemplo] é que o principal responsável pela família perdeu o trabalho ou teve sua renda comprometida. Aí outros membros da família têm que buscar alternativa para aumentar o rendimento familiar”, explica.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Lucianne Carneiro, Valor — Rio, 30/06/2021