Um reajuste da tarifa de energia elétrica menor que o esperado e a forte desaceleração nos preços no atacado ajudaram a dar continuidade à compressão de prêmio de risco no mercado de juros futuros no pregão de ontem. As taxas voltaram a cair, em especial nos prazos mais curtos.

O rendimento do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 cedeu de 5,64% para 5,59%, enquanto o do DI para janeiro de 2027 passou de 8,44% para 8,43%.

Depois de anotar uma alta de 4,10% em maio, o IGP-M perdeu fôlego e desacelerou para 0,60% neste mês, resultado que veio bem abaixo do consenso do mercado (1,00%). “O arrefecimento deste mês foi explicado pela moderação da inflação no atacado, com deflação dos produtos agropecuários e perda de força da inflação dos produtos industriais”, apontam, em nota, os economistas do Bradesco.

A reação dos juros curtos foi intensificada ainda pelo anúncio do reajuste de 52% no valor adicional da bandeira vermelha nível 2 no próximo mês pela Aneel, patamar abaixo do que era embutido nos preços. “O mercado estava falando em um reajuste maior na tarifa e, quando veio o anúncio, o humor melhorou um pouco. Mais cedo, o IGP-M também ajudou”, comentou um gestor de renda fixa.

No mercado de câmbio, o dólar se ajustou em alta de 0,29%, a R$ 4,9419. O dia foi novamente marcado pela falta de “drivers” que pudessem tirar o câmbio da banda entre os R$ 4,90 e R$ 5 em que permanece há cinco pregões.

“Até pouco tempo atrás, existia muito a ganhar e pouco a perder ficando vendido [apostando na queda] no dólar contra o real. Agora já não é mais assimétrico como era, acredito que a assimetria até se inverteu”, diz Marcos Weigt, diretor de tesouraria do Travelex Bank. “Nesse momento, vejo chance de cair para 4,80, mas também de subir de volta a R$ 5,30 se algo ruim ocorrer. Então, já não digo que sou mais vendedor [de dólar].”

Dados da B3 sobre os mercados de dólar futuro, minidólar e cupom cambial (DDI) dão outro indício de fadiga do rali de queda do dólar. Após cair a US$ 22 bilhões no início de junho, a posição comprada (apostando na alta do dólar) dos estrangeiros se recuperou, chegando a US$ 25 bilhões na segunda-feira. Já os fundos locais continuaram elevando sua posição vendida (apostando na queda do dólar), mas a um ritmo menor. No período, ela passou de US$ 57,2 bilhões para US$ 59,3 bilhões.

 

Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Victor Rezende, Felipe Saturnino e Marcelo Osakabe — De São Paulo, 30/06/2021