A possibilidade de uma crise política prolongada pode reduzir a disposição das empresas de serviços em contratar funcionários. Até junho, o indicador que mede essa intenção mostrava comportamento estável, segundo o consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Silvio Sales.

Ele fez a observação ao comentar a evolução do Índice de Confiança de Serviços (ICS), indicador-síntese da Sondagem de Serviços, que caiu 2,8 pontos entre maio e junho, para 81,9 pontos. A queda do ICS foi causada principalmente pela piora nas expectativas do empresariado do setor, afetadas pela divulgação, em maio, de gravação de conversa entre o empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, e o presidente da República Michel Temer, que colocou este último sob suspeita de corrupção passiva.

Sales comentou que, na sondagem de junho, a parcela de empresas que informaram intenção de elevar as contratação nos próximos três meses subiu de 13,2% para 14,4%. No entanto, no mesmo período, passou de 16,1% para 17% a fatia dos que admitiram que vão demitir nos próximos meses. Além disso, a parcela do empresariado que informou estabilidade em contratações mostrou redução, de 70,7% para 68,6%. Com isso, o indicador de emprego previsto para os próximos meses saiu de 97 pontos para 97,2 pontos entre maio e junho, praticamente uma estabilidade, notou ele.

Sales comentou, no entanto, que, no momento, não há certeza de quando será o fim do atual cenário de turbulência política no país. Esta semana, o ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu enviar à Câmara dos Deputados a denúncia de corrupção passiva da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer.

Sales disse que, se o atual quadro político continuar a apresentar deterioração por muito tempo, afetando a condução de política econômica, a parcela de empresários do setor interessados em contratações pode diminuir, nos próximos meses, reconheceu. Na prática, o empresário só contrata
quando percebe segurança em relação à economia. O setor de serviços representa mais de 60% do mercado formal de trabalho do país. “Esta incerteza [política] quanto mais ela se estender, mais compromete as projeções e leituras que as empresas de serviços fazem de contratação futura”, resumiu.

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Alessandra Saraiva, 30/06/2017