Uma semana após a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que pretende disputar a reeleição, a pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope mostra que aumentou o número de brasileiros descontentes com o governo. Segundo o levantamento, 32% consideram o governo ruim ou péssimo: cinco pontos percentuais a mais em relação à sondagem anterior, divulgada em abril.

O percentual de brasileiros que considera o governo ótimo ou bom também é de 32%, mas era 35% em abril. A pesquisa também revelou que 48% da população desaprova a maneira de governar do presidente, enquanto 46% a aprovam. A reprovação aumentou oito pontos percentuais na comparação com abril. Ainda segundo o levantamento, 51% dos brasileiros não confiam no presidente, e 46% confiam.

 

 

Em relação à pesquisa do Ibope Inteligência divulgada em janeiro e feita com metodologia semelhantes, a popularidade de Bolsonaro derreteu 17 pontos em seis meses: ele tinha 49% de ótimo e bom em janeiro.

A série histórica da CNI/Ibope indica que o nível de satisfação com o governo Bolsonaro, com 32% de ótimo ou bom, equipara-se ao índice dos primeiros seis meses da gestão do ex-presidente Fernando Collor, que registrou 33% de avaliação positiva em julho de 1990.

A aprovação de Bolsonaro em 32% nos primeiros seis meses só não é pior que a de Dilma Rousseff no segundo mandato (9% de ótimo e bom) e Michel Temer (13% de ótimo e bom). Mas a pesquisa revela que 47% dos entrevistados consideram a gestão de Bolsonaro melhor que a de Temer, enquanto 33% avaliam que é igual.

Na quinta-feira, durante a Marcha para Jesus, o presidente anunciou a disposição em se reeleger: "Se não tiver uma boa reforma política e, se o povo quiser, estamos aí para continuar mais quatro anos." Mas a popularidade do presidente pode continuar caindo se a economia brasileira não começar a reagir, avalia o gerente-executivo de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca.

"Há uma relação muito forte entre a economia e a avaliação do governo. As pessoas creditam ao governo parte da frustração com o desemprego, a queda da renda e do padrão de vida", explicou Fonseca.

Além da insatisfação com a economia, a CNI atribui a queda de popularidade também aos cortes de recursos da educação. O percentual de desaprovação na área foi o que mais cresceu em relação à pesquisa de abril: subiu dez pontos, de 44% para os atuais 54%.

"Eu diria que as manifestações [de rua, em maio] ainda estão muito fortes na memória dos brasileiros", avalia Fonseca. "Tudo indica que o grande fator que trouxe a redução da popularidade do presidente foi o que aconteceu nessa discussão toda de cortes na área de educação", acrescentou.

Em contrapartida, a pesquisa mostrou que apesar da exposição negativa na mídia do ministro da Justiça, Sergio Moro, com o vazamento dos diálogos com o procurador Deltan Dallagnol, a área de segurança pública é a mais bem avaliada do governo: 54% dos entrevistados aprovam a atuação do governo nessa área, enquanto 43% a desaprovam. Para Fonseca, a aprovação elevada deve-se à escolha de Moro para a pasta, e à edição dos decretos que facilitam a posse de armas.

Entre a população com renda familiar superior a cinco salários mínimos, o governo alcança 63% de aprovação, em contraste com a desaprovação de 59% na faixa de renda familiar de até um salário mínimo. Bolsonaro também alcança melhor índice de aprovação entre os brasileiros com grau de instrução mais elevado: 51% da população com nível superior aprova sua maneira de governar.

A reforma da Previdência foi a notícia mais lembrada pela população em junho. Segundo o levantamento, 13% dos entrevistados citaram as novas regras da aposentadoria como o assunto mais lembrado do noticiário, enquanto 10% indicaram o decreto sobre armas de fogo, e 8% os vazamentos dos diálogos de Moro e do procurador Deltan Dallagnol pelo site "The Intercept Brasil".


Fonte: Valor - Política, por Thais Carrança - de São Paulo, 28/06/2019