Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) – considerado a prévia da inflação oficial no país - subiu em 0,04% em junho, após alta de 0,51% em maio, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho de 2022, o IPCA-15 tinha subido 0,69%. A taxa é a menor para um mês de junho desde 2020 (0,02%).

O resultado ficou acima da mediana das 29 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que estimavam alta de 0,02% em junho. O intervalo das estimativas ia de recuo de 0,11% a aumento de 0,11%.

Com o dado de junho, o IPCA-15 acumula elevação de 3,40% em 12 meses. É o menor resultado para um período de 12 meses desde setembro de 2020 (2,65%). Até maio, o resultado em 12 meses era de 4,07%. Já o resultado acumulado do IPCA-15 nos primeiros seis meses de 2023 atingiu 3,16%.

O resultado em 12 meses ficou abaixo da mediana das 29 estimativas coletadas pelo Valor Data, que era de 3,36%, com intervalo entre 3,21% e 3,47%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para 2023 é de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, para baixo ou para cima.

A gasolina foi a principal influência para o IPCA-15 em junho, com queda de 3,40% e impacto de -0,17 ponto percentual.

Das nove classes de despesas usadas para cálculo da prévia da inflação oficial do governo, quatro tiveram desaceleração na passagem entre maio e junho: alimentação e bebidas (de 0,94% para -0,51%), transportes (de -0,04% para -0,55%), saúde e cuidados pessoais (de 1,49% para 0,19%) e educação (de 0,07% para 0,04%).

Subiram mais habitação (de 0,43% para 0,96%), vestuário (de 0,35% para 0,79%), despesas pessoais (de 0,40% para 0,52%) e comunicação (de 0,02% para 0,11%). Artigos de residência reduziram o ritmo de queda, de 0,28% para 0,01% de recuo.

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, calculado com base em uma cesta de consumo típica das famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos, abrangendo nove regiões metropolitanas, além de Brasília e do município de Goiânia. A diferença em relação ao IPCA está no período de coleta e na abrangência geográfica.

 

Difusão

 

A inflação se espalhou menos em junho pelos itens que compõem o IPCA-15. O chamado índice de difusão, que mede a proporção de bens e atividades que tiveram aumento de preços, caiu para 50,7% em junho, de 64,3%, segundo cálculo do Valor Data. É a menor difusão no indicador desde junho de 2020, quando esteve em 47,1%.

Excluindo alimentos, a difusão do IPCA-15 recuou para 55,1% em junho, de 62,9% em maio, conforme aponta o Valor Data, registrando o menor patamar desde setembro de 2020, quando estava em 53,7%.

 

Média de 5 núcleos

 

A média dos cinco núcleos monitorados pelo Banco Central (BC) caiu para 0,34% em junho no IPCA-15, segundo cálculos da MCM Consultores.

No acumulado em 12 meses, a média dos núcloes também recuou, de 6,76% até a prévia de maio para 6,19% até junho.

Vale reforçar que a meta de inflação perseguida pelo BC é de 3,25% em 2023, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Lucianne Carneiro, Valor — Rio, 27/06/2023