Os juros futuros encerraram a sessão regular desta sexta-feira (25) em queda, que se estendeu até os vértices intermediários da curva. Nos trechos de longo prazo, porém, predominou o dia de aversão a risco que afetou tanto a bolsa quanto o câmbio e, assim, as taxas longas terminaram a sexta-feira em alta.
No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 5,73% no ajuste anterior para 5,69%; a do DI para janeiro de 2023 recuou de 7,23% para 7,19%; a do contrato para janeiro de 2025 se manteve inalterada em 8,15%; e a do DI para janeiro de 2027 subiu de 8,53% para 8,57%.
Com a divulgação do IPCA-15 de junho, os agentes continuaram a discutir as pressões inflacionárias de curto prazo, ao mesmo tempo em que o debate em torno das expectativas de médio prazo também foi mantido no radar dos agentes.
“O IPCA-15 de junho ficou dentro das expectativas, subindo 0,83% no mês e acumulando 8,1% em 12 meses. A composição do índice, no entanto, veio mais preocupante, com altas generalizadas em itens mais persistentes, como núcleo de produtos industrializados e serviços, enquanto itens mais voláteis, como alimentos in natura, vieram mais baixos”, avaliam os profissionais da BlueLine Investimentos em nota. Assim, eles enfatizam que o núcleo da inflação acelerou para 4,8% em 12 meses e atingiu o maior nível em quatro anos.
Esse movimento vem no momento em que as discussões sobre a contaminação das expectativas de inflação estão no centro das atenções do mercado. No momento, a mediana das projeções para o IPCA de 2022 está em 3,78%, 28 pontos-base acima do centro da meta de inflação. As expectativas devem continuar a ser monitoradas pelos agentes, já que uma deterioração adicional poderia ser o gatilho para que o Copom acelere o ritmo de alta da Selic de 0,75 ponto percentual para 1 ponto.
Os profissionais da BlueLine destacam que a pressão no núcleo de inflação “é um dos fatores que têm feito o Copom apertar a política monetária e sinalizar altas consecutivas até atingir o nível considerado neutro de 6,5%”. Uma parcela do mercado projeta níveis ainda mais altos que 6,5%, o que se reflete, também, na curva de juros, que continua a precificar uma Selic superior a 7% no fim do ano. Nesta sexta-feira, porém, o IPCA-15 de junho em linha com o consenso do mercado deu algum alívio à curva, apesar da composição mais preocupante. Na ponta longa, predominou um ajuste em um dia mais avesso a risco, em linha com o observado na bolsa e no câmbio.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Victor Rezende, Valor — São Paulo, 25/06/2021

