Os presidentes dos seis maiores bancos do país, que participaram nesta manhã do CIAB Febraban, congresso de tecnologia bancária promovido pela Federação Brasileira de Bancos, destacaram o forte crescimento do PIB este ano. Impulsionada pela base de comparação baixa - em 2020 a economia encolheu 4,5% - e pelo boom das commodities, a atividade pode crescer entre 5% e 6% este ano. Para 2022, no entanto, as projeções são muito mais baixas, perto de 2%.
“A vacinação é um fator crítico para que possamos reaquecer alguns setores da economia”, disse o presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro. A instituição projeta crescimento de 5,8% este ano e 2,5% em 2022. Segundo ele, o setor financeiro precisa continuar apoiando o agronegócio e as exportações.
Entre os mais otimistas está o CEO do BTG, Roberto Sallouti, que diz que a expansão este ano pode ser acima de 6%. Segundo ele, a vacinação está avançando e até setembro a maior parte da população brasileira deve ter recebido pelo menos a primeira dose. “Em breve vamos começar a ver uma melhora significativa nos números de casos, internações e mortes.”
De acordo com o executivo, a economia vai se recuperar porque as autoridades não exageraram na dose mantendo medidas extraordinárias de estímulo quando elas já não são mais tão necessárias. “A recuperação foi em ‘V’ mesmo, apesar de muitos terem tido dúvidas disso. [...] Estou feliz de ver que a classe política teve a disciplina de não se iludir e querer manter políticas excepcionais em tempos normais, o que teria um custo enorme para o país.”
Para Sallouti, a responsabilidade fiscal, que permitiu ao país ter taxas de juros mais baixas, e o desenvolvimento dos mercado de capitais provocam mudanças sociais gritantes. Muita gente saiu da renda fixa e foi para investimentos em outras áreas, possibilitando que mais empresas se financiem nos mercados. “Mas é preciso reformas para aumentar o PIB potencial, que ainda é muito baixo.”
O presidente do Bradesco, Octávio de Lazari Jr, afirmou que de fato a economia se saiu melhor na crise e que a dívida pública deve ficar perto de 85% do PIB, e não 100%, como se temia. Ainda assim, ele apontou que um aspecto importante é a inflação. “Vai ser muito difícil segurar a inflação, o BC vai ter de utilizar todos os instrumentos de política monetária. E controlar a inflação observando e mantendo a disciplina fiscal. Isso é condição ‘sine qua non’ para que o Brasil consiga fazer as privatizações.”
Ele disse que o Brasil precisa avançar com as reformas para chegar em 2022, que é um ano eleitoral, e continuar crescendo. “A expectativa não é boa, é muito baixa, mas temos condições de reverter isso. Os bancos estão muito bem preparados.”
O presidente do Santander Brasil, Sergio Rial, também ressaltou o desafio apresentado pela inflação. “Crescimento de 6% com restrições no lado oferta vai dar em inflação, isso é inquestionável. Voltar ao centro da meta, espero que seja em 2022, mas talvez só aconteça em 2023.”
Para o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, 2021 tem de ser o ano de prioridade máxima nas reformas, sem contar o avanço da vacinação, que ele classificou como a melhor política econômica neste momento. “Existe uma recuperação em ‘V’, mas em 2022 o crescimento é mais tímido, de 1,8%, 2%. A mensagem que fica é de disciplina, devemos continuar com uma agenda muito forte de produtividade, crescimento, para que a economia avance com as próprias pernas.
Já o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, reclamou que o governo federal não recebe o devido mérito pela recuperação da economia em função do cenário político polarizado. “O que aconteceu ano passado, se não houvesse a questão política que existe hoje, teria sido valorizado de maneira única.”
Pedro Guimarães reclamou que o governo federal não recebe o devido mérito pela recuperação da economia em função do cenário político polarizado — Foto: Andre Coelho/Valor
Segundo ele, assim como as previsões de crescimento este ano foram revisadas para cima, o mesmo deve acontecer em 2022. “Tem uma série de questões que ainda não estão sendo precificadas.”
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Álvaro Campos e Lucinda Pinto, Valor — São Paulo, 22/06/2021

