Instituição Fiscal Independente (IFI) elevou de 3% para 4,2% a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021, em seu cenário base. Com a elevação também da estimativa de inflação, a entidade ligada ao Senado prevê uma forte alta de 12,6% no PIB nominal, o que derrubou a projeção para a relação dívida/PIB de 91,3% para 85,6%.

Os números do cenário base da IFI estão mais conservadores que o do mercado financeiro, que, na média, trabalha com uma expansão do PIB de 4,85% e com uma dívida abaixo de 85% do PIB. O próprio governo já trabalha com um nível de endividamento da ordem de 84% do PIB, podendo até ficar menor. “A dívida, no entanto, ainda será 30,5 pontos percentuais do PIB superior à média dos países emergentes apresentada pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] no Monitor Fiscal de abril, fazendo-se os devidos ajustes metodológicos”, pondera a IFI.

A explicação para o maior conservadorismo nas projeções da IFI é que o cenário atual, ainda que bem melhor após as surpresas da economia no primeiro trimestre, carrega elevada incertezas. “É preciso ter claro que a base de comparação de 2020 é bastante baixa... Essa projeção contém riscos baixistas e altistas. O carry-over, cálculo do carregamento estatístico, passou a 4,9% depois da divulgação do PIB do primeiro trimestre. Isto é, se os próximos trimestres esboçarem variações na margem iguais a zero, o PIB cresceria 4,9% em 2021”, explica a instituição liderada pelo economista Felipe Salto.

Entre os riscos à frente para o crescimento, a edição extraordinária do relatório de acompanhamento fiscal cita a covid-19 e o ainda aquém do desejável ritmo de imunização da população, e o risco como elementos limitadores. “No balanço de riscos, destacam-se os seguintes fatores que poderiam elevar a projeção do PIB para o ano: a) a evolução mencionada dos preços dos produtos primários e b) os efeitos sobre a demanda agregada decorrentes dos estímulos fiscais. A respeito deste último ponto, vale sopesar que o gasto extra total de 2021 deverá representar cerca de 1/5 do realizado em 2020”, afirma.

A IFI traz também dois outros cenários, um otimista e um pessimista. No primeiro, o PIB cresce 5,4% e a dívida cai a 83,9% do PIB. No pessimista, o crescimento econômico fica em 2,8% e a dívida iria a 88,1%.

 
 

Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Fabio Graner, Valor — Brasília, 16/06/2021